terça-feira, abril 13, 2021

Toxina de taturana é usada em pesquisas na área médica e farmacológica


Espécie ‘Megalopyge albicollis’, também chamada de lagarta-de-fogo é encontrada em vários jardins; contato com humanos pode causar urticária e dor local. A taturana-de-fogo sempre aparece no quintal da casa da Maria Célia, em Arujá (SP).
Maria Célia/Arquivo Pessoal
Se usarmos os tons de cabelos humanos como classificação, com certeza a lagarta Megalopyge albicollis, conhecida como lagarta-de-fogo, seria a ruiva da turma. Comum em vários estados brasileiros, a espécie se destaca nos jardins devido à coloração forte.
Mas toda essa beleza exige cuidado. “É uma taturana que tem cerdas urticantes. As cerdas mais longas e alaranjadas, que a gente enxerga de cara, são inofensivas, mas esse animal conta com cerdas curtas e afiadas que ficam na base das maiores e possuem uma toxina capaz de causar uma dor excruciante” explica o biólogo Pedro Álvaro Neves, que estuda esses animais.
De acordo com o pesquisador as cerdas menores funcionam como um tipo de agulha que acabam espetando os predadores ou algo que entre em contato com elas. Apesar da dor intensa e de uma possível reação local, nos humanos não há nenhum tipo de complicação médica mais séria já relatada.
‘Megalopyge albicollis’ na fase larval e depois já na fase de mariposa.
Wolfgang Walz/Arquivo Pessoal
Esse tipo de “veneno” já foi analisado e cientistas descobriram nele a capacidade de inibição de morte celular, o que pode ser importante para a cultura de células em laboratório, usadas como base para outros estudos. “A toxina que essa taturana libera pode ter um alto potencial para a área médica e farmacológica, o que reforça ainda mais a necessidade de cuidarmos e preservarmos esses bichos que podem ajudar em novas descobertas”, comenta Ivo.
Atualmente, a família Megalopygidae possui 232 espécies descritas. Acredita-se que mais da metade dessas ocorreram no Brasil, mas as informações sobre o grupo ainda são fragmentadas e escassas
A espécie fica cerca de três meses na fase larval se alimentando de uma grande variedade de plantas até que se desenvolve e tece um casulo de seda usando as cerdas do próprio corpo. Dentro do casulo, sofre uma metamorfose e vira uma pupa.
Esse é o casulo de seda da lagarta-de-fogo.
Wolfgang Walz/Arquivo Pessoal
“Esse período de transformação pode variar de 30 a 150 dias dependendo da sazonalidade, já que em algumas épocas do ano pode acontecer o processo de diapausa, onde o desenvolvimento é interrompido até que haja melhoras no ambiente para a finalização do processo”, acrescenta o pesquisador.
Uma curiosidade é que, depois que as lagartas-de-fogo se tornam mariposas, elas não se alimentam mais, pois possuem a parte bucal atrofiada e vivem apenas para a reprodução durante poucos dias. Assim, acasalam-se no mesmo dia que emergem do casulo e as fêmeas logo procuram plantas para fazer o depósito dos ovos, o que geralmente ocorre nos meses de janeiro a março, quando o ciclo volta a se repetir mais uma vez.
A palavra taturana é de origem tupi-guarani e significa “aquilo que arde como fogo”.
Fabrício Alex de Souza/Arquivo Pessoal

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