sexta-feira, abril 16, 2021

Unicamp tem alta de aprovados da rede pública no vestibular 2021 e redução de negros após ficar sem seleção por notas do Enem


Convocados em primeira chamada devem realizar matrícula não presencial em 15 de março, no site da Comvest. Estudantes isentos de taxa de inscrição representam 19% dos aprovados. Uma das entradas do campus da Unicamp em Campinas
Antoninho Perri / Unicamp
As aprovações de estudantes oriundos da rede pública na primeira chamada do vestibular da Unicamp aumentaram em 2021, no comparativo com a edição anterior, segundo dados divulgados na manhã desta terça-feira (9) pela comissão organizadora (Comvest). Por outro lado, ao incorporar no exame tradicional as vagas que deixaram de ser preenchidas via Enem, após conflito de datas, a universidade estadual registrou uma diminuição no total de candidatos negros aprovados. Veja abaixo explicações.
A Unicamp convocou na segunda-feira 3.247 estudantes para 69 cursos de graduação, que devem fazer a matrícula on-line pelo site da comissão no dia 15 de março, entre 9h e 17h. Quem não fizer, fica excluído desta modalidade de seleção. Clique e confira a relação completa de nomes.
Ainda nesta terça-feira, a comissão prevê divulgar das notas de corte para cada carreira oferecida.
Rede pública em alta
Os dados da Comvest indicam que, do total de convocados, 1.616 fizeram o ensino médio em escolas da rede pública, o equivalente a 49,8%. O percentual supera os 47,5% verificados na edição 2020 do exame, quando foram registrados 1.510 estudantes, considerando-se neste total a soma de resultados do vestibular tradicional e da seleção de alunos por meio de desempenho em provas do Enem.
Na edição 2021, diante da divergência de calendários afetados pela pandemia, a Unicamp realocou as 639 vagas que teriam seleção via notas do Enem para o exame tradicional. Ela teve 77.653 inscritos, incluindo recorde de interessados da rede pública: 34,2% do grupo, o equivalente a 26.557 candidatos.
“Quando você tem um maior número de pessoas inscritas, em qualquer que seja o segmento, tradicionalmente tem um reflexo na aprovação dos candidatos. Essa é uma correlação que pode ser analisada em vários anos do vestibular da Unicamp”, avalia o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, ao ponderar também que a migração de vagas do Enem precisa ser analisada no contexto.
O recorde deste indicador foi registrado pela Unicamp em 2018, quando chegou a 53,1%. Ao ponderar sobre a meta de 50% estipulada pelo estado, o diretor lembra que a Unicamp tem ainda 120 vagas destinadas ao Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), curso da universidade voltado aos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas de Campinas e que permite o ingresso em cursos de graduação, sem a necessidade de realizar as provas do vestibular.
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto
Reprodução / EPTV
Pretos, pardos e indígenas
O levantamento da Comvest indica que, nesta edição, o total de convocados autodeclarados pretos, pardos e indígenas equivale a 33,8%, ou seja, 1.098 estudantes. O indicador significa uma baixa em relação ao processo seletivo anterior, quando o grupo de 1.138 correspondia a 36,7% do total.
A Unicamp diz que em alguns cursos o índice chegou a 50%, como história e ciência da computação, ou ficou próximo como em ciências econômicas (48,6%), química (46%) e enfermagem (45%). Para Freitas Neto, o resultado foi influenciado pela ausência da seleção via notas do Enem.
“Quando temos duas bases de candidatos, por exemplo, o vestibular e o Enem, nós podemos aplicar as políticas e os números das cotas com listas que são independentes. Este ano, com a “inexistência do Enem”, tivemos única base. Portanto, a aplicação de cotas, para autodeclarados, fez com que aquele número fosse menor, mais restrito, aí depende do desempenho dos candidatos”, pondera o diretor da Comvest ao falar sobre a concentração de do índice de cotas em uma única lista.
“No vestibular dos anos anteriores a cota era de 15%, e 10% pelo Enem. Ao termos os 25% e um mesmo total de inscritos pode acontecer a diminuição, sobretudo nos cursos menos concorridos.”
Aumento de estudantes de baixa renda
Outro resultado destacado pela Unicamp foi o crescimento do número de estudantes de baixa renda com isenção integral da taxa de inscrição e foram convocados em primeira chamada. Ao todo são 629 estudantes, 19,4% do total, enquanto que em 2020 foram 385 contemplados, igual a 11,9%.
“O processo foi simplificado, tivemos um prazo maior. Creio que essa seja uma política que deve ser mantida. Desburocratizar facilita para os candidatos que são os mais pobres, aqueles que têm maior dificuldade inclusive para comprar um perfil socioeconômico, já que a informalidade é uma das características da nossa economia”, ressalta o diretor.
Para José Alves, o resultado traduz, em números concretos, a política de inclusão, também social, da Unicamp.
“Ajuda a desfazer o mito de que apenas estudantes das escolas de elite são aprovados no vestibular”, diz.
Impactos da pandemia
Na avaliação do diretor da Comvest, realizar o vestibular 2021 e ter uma lista de aprovados em meio a todo contexto criado pela pandemia da Covid-19 é muito importante para a Unicamp. José Alves lembra que o ponto negativo envolve os candidatos que ficaram pelo caminho ou se sentiram desestimulados e que isso, de certa forma, afeta a capacidade de fazer uma “escolha melhor”.
“Por outro lado, é uma grande conquista para a Unicamp, para a universidade pública, ter tido condições de fazer esse vestibular e termos os candidatos, estudantes selecionados para iniciarmos o ano letivo de 2021 no próximo dia 15 de março. Evidente que gostaríamos que tudo isso fosse presencial, que tudo isso fosse feito de uma outra forma, e que nós tivéssemos superados algumas dessas etapas do contexto da pandemia. Mas ter a perspectiva do ingresso dos estudantes na graduação, significa muito para a Unicamp”, ressalta.
Cursos mais disputados
Neste ano, os dez cursos mais procurados pelos candidatos são: medicina, arquitetura e urbanismo; ciências biológicas; comunicação social-midialogia; ciência da computação; engenharia da computação; farmácia; história; ciências econômicas e enfermagem.
Calendário Vestibular Unicamp 2021
Notas de corte dos cursos: 9 de março
Notas dos candidatos: 10 de março
Comissão de averiguação virtual dos convocados cotas étnico-raciais da primeira chamada/Solicitação e divulgação do resultado de recurso dos convocados em primeira chamada de cotas étnico-raciais: 11 de março
Matrícula presencial da primeira chamada, nas unidades de ensino: 15 de março
Início das aulas: 15 de março
Segunda chamada: 17 de março
Confira calendário completo
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