domingo, maio 16, 2021

Vacina da Pfizer: Brasil recebe 1º lote do imunizante com 4 meses de 'atraso'

Lote com 1 milhão de doses chegou ao Brasil na noite desta quinta-feira (29/4). Proposta recusada pelo governo em meados de 2020 previa início das entregas ainda em dezembro do ano passado. 1 milhão de doses da vacina da Pfizer chegam ao depósito de Guarulhos, em SP
O primeiro lote de vacinas da Pfizer/BioNTech contra a Covid-19 chegou ao Brasil na noite desta quinta-feira (29/4). O desembarque dos imunizantes no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), foi acompanhado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
Nesta primeira etapa, foram entregues 1 milhão de doses produzidas na Bélgica, que fazem parte do acordo assinado pelo Ministério da Saúde com a Pfizer em março, com previsão de um total de 100 milhões de doses até o fim do terceiro trimestre de 2021.
O governo federal disse que vai distribuir as vacinas para as 27 capitais do país entre sexta-feira (30/4) e sábado (1°/5). Embora tenha divulgado que a divisão será “proporcional e igualitária”, o ministério ainda não detalhou a quantidade de doses que enviará para cada local.
Devido à necessidade de baixas temperaturas para manter a vacina da Pfizer, o Ministério da Saúde informou que está orientando que, para essa primeira remessa, a vacinação fique restrita às capitais e, se possível, ocorra em unidades de saúde que possuam câmaras refrigeradas cadastradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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As doses chegaram ao Brasil armazenadas em caixas a uma temperatura de -70°C e os estados receberão as doses em temperatura entre -25°C e -15°C (faixa em que podem ficar por até 14 dias), segundo o governo. “Assim que os imunizantes chegarem nas salas de vacinação, na rede de frio nacional (2°C a 8°C), a aplicação na população deve ocorrer em até cinco dias”, informou o ministério.
Quatro meses depois
O Brasil poderia ter recebido ainda em dezembro de 2020 as primeiras doses de vacina Pfizer/BioNTech, se tivesse aceitado proposta da farmacêutica em meados do ano passado.
Esse prazo foi mencionado inclusive pelo ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro Fábio Wajngarten em entrevista à revista Veja. “Se o contrato com a Pfizer tivesse sido assinado em setembro, outubro, as primeiras doses da vacina teriam chegado no fim do ano passado”, disse.
Pelo menos 3 milhões de doses já teriam chegado ao Brasil até fevereiro se o governo tivesse aderido à proposta da farmacêutica, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo.
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O argumento do governo federal foi o de que não concordava com as condições estabelecidas pelo laboratório e que a empresa não se responsabilizava por eventuais efeitos colaterais da vacina. Mas essas mesmas condições foram impostas a outros países que compraram a vacina, segundo a farmacêutica.
Foi ao comentar sobre a vacina da Pfizer/BioNTech que Bolsonaro falou aquela que se tornou sua mais conhecida fala contra a vacinação: “Lá no contrato da Pfizer, está bem claro: nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu”, disse o presidente.
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Em janeiro, o Ministério da Saúde divulgou nota na qual reconheceu ter recusado tentativas iniciais da Pfizer de avançar em negociação sobre a oferta de vacinas e disse, na ocasião, que um acordo com a empresa “causaria frustração em todos os brasileiros”. A nota menciona uma entrega de 2 milhões de doses nos três primeiros lotes e diz que era “número considerado insuficiente pelo Brasil”.
Procurada pela BBC News Brasil nesta terça-feira, a assessoria de imprensa da Pfizer disse que a empresa prefere não se pronunciar sobre o assunto. A reportagem também questionou o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de o Brasil já ter recebido mais doses da vacina da Pfizer, mas não recebeu resposta sobre esse tema até a última atualização desta reportagem.
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Vacinação e a CPI da Covid
A conduta do governo Bolsonaro em relação à compra de vacinas deve ser um ponto central da análise da CPI da Covid, que teve sua abertura nesta semana e vai investigar “ações e omissões” do governo federal diante da pandemia de coronavírus, além de possíveis ilegalidades no uso de recursos repassados pela União para Estados e municípios atuarem contra a pandemia.
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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omaz Aziz (PSD-AM), disse, em entrevista à BBC News Brasil, que está “muito mal explicado por que não compramos 70 milhões de doses da Pfizer”.
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A comissão aprovou nesta quinta a convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e dos três ex-ministros da pasta no governo Jair Bolsonaro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Eles começarão a ser ouvidos a partir do dia 4 de maio.
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O Ministério da Saúde informou que os estados e o Distrito Federal começam a receber a partir desta quinta-feira (29/04) novos lotes das vacinas da Fiocruz (total de 5,1 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford) e do Butantan (104,8 mil de doses da Coronavac).
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Segundo o governo, as doses devem ser usadas para a vacinação de pessoas de 60 a 64 anos, além de forças de segurança e salvamento e Forças Armadas que atuam na linha de frente da pandemia.
O Ministério da Saúde recomenda que as pessoas tomem a segunda dose de vacina contra a Covid mesmo que esteja fora do prazo recomendado pelo laboratório “para assegurar a proteção adequada contra a doença”.
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Neste mês, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu encontrar dificuldades para a aplicação da segunda dose da Coronavac, uma das vacinas utilizadas no Brasil durante a campanha de imunização contra a Covid-19.
Cidades de estados como São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba, Amapá, Alagoas e Pernambuco precisaram interromper a campanha por falta de estoque suficiente para completar a proteção das pessoas que já haviam tomado a primeira dose anteriormente.
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No dia 21 de março, o Ministério da Saúde mudou as diretrizes e permitiu que os estados aplicassem todas as doses disponíveis, sem deixar reservas para garantir a segunda dose daqueles que já haviam recebido a primeira.
O problema é que, com o aumento da demanda mundial pelos imunizantes, a chegada dos insumos da China sofreu uma série de atrasos. Sem esse material, o Instituto Butantan não consegue finalizar a produção da CoronaVac.
E isso, por sua vez, gera uma reação em cadeia que afeta a disponibilidade de doses nos postos de saúde e emperra o andamento da campanha no país.
Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:

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