quarta-feira, abril 14, 2021

Vídeo mostra em detalhes estratégia de caça da falsa cobra-coral


Ao capturar a presa a serpente não introduz veneno: estratégia é asfixiar o animal o imobilizando; flagrante feito no Ceará teve desfecho surpreendente. Falsa coral é flagrada predando calango-liso
Há 10 anos a Eco Aldeia Flecha da Mata, localizada em Aracati (CE), é cenário para muitos flagrantes da natureza, afinal, as instalações ficam em meio a uma mata nativa com características de Caatinga, Restinga e Cerrado. No entanto, dentre tantos encontros com espécies da fauna, um registro se destaca no acervo do permacultor Fabio Flecha: uma cobra-coral predando um calango-liso.
“Vi a cena de longe e não imaginei que fosse uma cobra-coral. Quando cheguei perto ela já tinha capturado o lagarto e permaneceu daquele jeito por uns 10 minutos”, conta.
Fábio chamou alguns voluntários da aldeia para observar o comportamento quando um dos cachorros da propriedade afugentou a serpente e surpreendeu a todos com um desfecho inimaginável. “A cobra se assustou e fugiu, e a presa permaneceu imóvel. Cinco minutos depois ela voltou e, ao se aproximar, o lagarto saiu correndo. Ficamos todos surpresos”, lembra o permacultor.
O veneno só é inoculado na presa a medida que o animal é engolido, pois os dentes ficam no fundo da boca.
Willianilson Pessoa/Arquivo Pessoal
De acordo com o herpetólogo Willianilson Pessoa, a presa conseguiu fugir graças ao comportamento de caça das falsas-corais. “A dentição dela é opstóglifa, ou seja, os dentes que inoculam o veneno ficam no fundo da boca. Assim, na hora que ela dá o bote ela não injeta o veneno, ela somente segura a presa e injeta a peçonha conforme vai engolindo o animal, para acabar de matar e para pré-digerir o alimento. Nesse caso o lagarto poderia estar se fingindo de morto (tanatose) – uma estratégia bem comum entre vários animais diante de um predador; ou ele estava fraco e cansado de lutar e, com a saída da cobra, conseguiu se recuperar e fugir”.
O cansaço da presa diante dessa disputa pela vida é resultado da estratégia de predação usada pelas corais, chamado de constrição. “Ao contrário do que as pessoas falam, as cobras como cobra-coral, jiboia e sucuris não se enrolam nas presas para quebrar os ossos, mas sim para matá-las sem ar: elas apertam o bicho, ele inspira oxigênio e expande a caixa torácica. Quando ele expira, diminui o volume da caixa torácica e a cobra aperta mais ainda. Dessa forma ele vai perdendo a capacidade de expirar e inspirar, ficando limitado à pressão da cobra sob o corpo”, detalha Pessoa. “Em alguns casos pode acontecer dos ossos da presa se quebrarem, mas esse não é o objetivo das serpentes que usam essa estratégia de caça”, complementa.
As cobras da família Boidae, como as jiboias, quase sempre usam a constrição: dão o bote já se enrolando no bicho. Já as da família Colubridae (como as corais-falsas e cobras-cipó) e da família Dipsadidae (jararaca-dormideira) podem variar de estratégia conforme as características da presa
O tamanho das presas varia muito, uma vez que as cobras não enxergam tão bem para optar por animais menores.
Willianilson Pessoa/Arquivo Pessoal
O especialista explica ainda que o tamanho da presa pode impressionar, mas faz parte da dieta das cobras-corais. “Elas podem capturar presas pequenas, que nem sempre são suficientes para satisfazê-las, ou presas maiores. Pode acontecer, inclusive, da cobra capturar o animal, mas não conseguir se alimentar por conta do tamanho”, completa.
Flagrantes constantes
O registro da tentativa de predação pode até ser destaque no acervo de flagrantes feitos por Fabio Flecha, mas a escolha do encontro mais marcante é difícil: na lista estão vídeos de caranguejeira predando um sapo, uma cuíca ‘posando’ para as câmeras, o voo de uma coruja em câmera lenta e diversas serpentes passeando pelas matas que cercam a Aldeia.
Fábio registra a natureza presente na aldeia há dez anos.
“Eu e minha esposa fundamos a Eco Aldeia em 2011 com o objetivo de ter contato com a natureza, desejo antigo nosso, desde que conhecemos a permacultura. A partir disso, desenvolvemos diversas atividades que permitem essa proximidade com a mata, unindo arte, cultura e educação”, conta o permacultor, que organiza trilhas eco-pedagógicas na região. “Já recebemos mais de 30 escolas, desde crianças até universitários, interessados nesse contato com a natureza”, completa.
Para nós a natureza é tudo, afinal, estamos aqui por conta dela. Quando construímos as instalações não desmatamos nada, então a mata nativa só aumenta com o passar dos anos. Aqui aprendemos muita coisa e temos a natureza como nossa protetora

Ultimas Notícias

O amor pela cozinha e a superação de desafios

Conheça a história da cozinheira Claudete Machado, de Campinas, que acredita que para...

Governo federal recebe estudo de viabilidade para nova licitação de Viracopos

Etapa é mais um passo para o avanço do processo de relicitação; único consórcio a enviar o documento...

Complementos para sopas e caldos mais saborosos

Veja o que o chef Ricardo Barreiro, de Campinas, indica para dar um toque especial ao preparos que...

Campinas tem mais 34 mortes por Covid-19 e total aumenta para 2.735; casos chegam a 86,5 mil

Balanço divulgado pela prefeitura na tarde quarta-feira (14) mostra mais 660 moradores infectados. Vítimas são 17 homens e...

Caçador de auroras boreais: o jovem brasileiro que vive em busca das ‘luzes coloridas’

De Sorocaba (SP), hoje Filippo Dias vive na Finlândia e divulga imagens do céu nas redes sociais. ...
- Advertisement -