sábado, maio 15, 2021

Vídeo mostra onças-pardas compartilhando presa; confira


Registro de hábitos alimentares do felino é relativamente raro; fora do Brasil o puma, como também é chamada a onça-parda, é foco do turismo de observação de onças. Biólogo especialista em felinos flagrou puma dividindo presa com filhotes
Um flagrante feito pelo biólogo Felipe Peters durante uma expedição no Chile mostra em detalhes uma relação curiosa e pouco comum entre as onças-pardas: a partilha da presa entre indivíduos da mesma espécie. No vídeo acima é possível identificar a presença de uma fêmea adulta e seu casal de filhotes dividindo um guanaco, mamífero nativo da América do Sul que chega a medir 1,30 metro de altura e pesar até 140 quilos.
“Interações sociais entre onças-pardas costumam ser mais associadas ao cuidado das mães com os filhotes. No entanto, estudos realizados no Parque Nacional Grand Teton (EUA) e no Parque Nacional Torres del Paine (Chile) demonstraram que interações entre adultos podem ser mais frequentes do que se imagina, sobretudo quando relacionados a períodos em que as presas estão agrupadas, ou em períodos de acasalamento”, comenta.
Fêmea foi clicada dividindo presa com dois filhotes
Felipe Peters/Arquivo Pessoal
O flagrante é pouco comum, não só pelos hábitos de caça solitários – típicos da espécie; mas também pela dificuldade em observar o comportamento de predação do felino na natureza. “O hábito furtivo e noturno das onças-pardas dificulta as observações diretas quanto à alimentação. A maior parte dos registros atuais está relacionada a estudos derivados de bases de dados indiretas, como análise de fezes e localização de presas recém abatidas”, explica Peters, biólogo do Instituto Pró-Carnívoros.
Carnívora, de médio a grande porte, a espécie ocorre nos mais variados habitat disponíveis, desde o extremo sul do Chile e Argentina até o noroeste dos Estados Unidos e Sul do Canadá. “O felino está adaptado as mais diversas condições ambientais, sejam elas relacionadas às planícies litorâneas ou às escarpas andinas, locais úmidos a nível do mar ou mesmo extremas nevascas e locais de altitudes que chegam até 5.800 metros”, comenta Marina Favarini, bióloga especialista em felinos (IPC).
“Essa grande área de distribuição geográfica reflete em diferentes hábitos e interações com culturas humanas, o que torna o puma uma das espécies mais icônicas entre os felídeos das Américas”, completa.
Indivíduo flagrado por armadilha fotográfica na Caatinga
Arquivo/Programa Amigos da Onça
A fácil adaptação aos mais diversos tipos de ambiente também é percebida no Brasil: a vasta área de ocorrência no País é comprovada, inclusive, na diversidade de nomes populares dados ao felino. “Os nomes nacionais comprovam a interação do animal em diferentes culturas locais, podendo ser popularmente conhecido por onça-parda, suçuarana, leão-baio, leão-da-montanha, onça-vermelha, ou simplesmente puma”, destaca Felipe.
Outro resultado da ampla distribuição geográfica é a existência de subespécies classificadas por Puma concolor concolor, na América do Sul, e Puma concolor couguar, na América do Norte e Central. “Tais variações morfológicas são notáveis ao longo da área de ocorrência, mas independente da condição sub-específica, indivíduos de maior porte geralmente estão associados a áreas montanhosas e sujeitas a neve. Já os de menor peso ocorrem em áreas de floresta tropical”, diz.
“Além das condições adversas de clima e relevo, os animais típicos de maiores latitudes possuem acesso a presas de maior porte, como os guanacos do extremo sul e os grandes cervos do extremo norte, situação que também exige uma maior potência e vigor físico para garantir o sucesso no abate”, completa Peters.
Indivíduos que ocorrem em maiores altitudes tendem a ser maiores e mais fortes graças à variabilidiade de grandes presas
Felipe Peters/Arquivo Pessoal
De maneira geral os machos adultos são maiores, pesando de 40 até 70 quilos, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 50 quilos. “A coloração da pelagem é uniforme, com o ventre amarelo esbranquiçado e a parte dorsal que varia entre tons pardos ou avermelhados, independente da localidade”, comenta Marina.
Tido como “Vulnerável” na Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas de Extinção, o felino é vítima da perda e fragmentação do habitat – resultado da expansão agrícola, industrial e urbana; assim como caça motivada por retaliação à predação de animais domésticos e atropelamentos nas estradas e rodovias de todo o País. “Estimativas da Oficina de Avaliação do Estado de Conservação dos Mamíferos Carnívoros do Brasil, realizada pelo ICMBio, apontam que o tamanho populacional da espécie possa ser menor do que 10 mil indivíduos para a Amazônia, menor que 2.500 indivíduos para o Cerrado e Caatinga, e menor que mil indivíduos para a Mata Atlântica e Pantanal, além de ser desconhecida para o Pampa”, reforça a bióloga.
Fêmeas são menores que os machos, pesando até 50 quilos
Felipe Peters/Arquivo Pessoal
Turismo de observação
O turismo de observação de onças-pintadas movimenta a economia local do Pantanal Brasileiro e, graças ao envolvimento da comunidade em proteger os animais, estimula a conservação da espécie. No entanto, a prática para observação de onças-pardas não é comum no País. “Esse tipo de turismo é internacionalmente reconhecido para algumas regiões do extremo sul da Argentina e do Chile, como por exemplo o Parque Nacional Torres del Paine e as propriedades privadas do entorno”, comenta o biólogo do Instituto Pró-Carnívoros, Fábio Mazim.
De acordo com o especialista em felinos, a densidade de onças-pardas no parque estimada – no fim da década de 90, já considerava cerca de seis indivíduos a cada 100 quilômetros quadrados. “No entanto, já era admitida a possibilidade das populações crescerem, devido às políticas de proteção às presas, proibição de caça e potencial turístico”, diz.
“Os pecuaristas chilenos vislumbraram que era financeiramente mais vantajoso manter pumas vivos, para o deleite de fotógrafos e amantes da natureza, mesmo com os ocasionais abates de ovinos”, completa.
Mesmo com o nome de ‘onça’, espécie se assemelha mais ao felino jaguarundi
Felipe Peters/Arquivo Pessoal
Prima da onça-pintada?
Por mais que as espécies carreguem ‘onça’ no nome popular, a onça-parda e a onça-pintada podem ser considerados parentes distantes dentro da família Felidae. Embora a onça-parda seja o segundo maior felídeo do Brasil, ela possui características evolutivas mais relacionadas às espécies de pequeno porte, como o jaguarundi e os gatos-do-mato, do que propriamente da onça-pintada.
A principal diferença evolutiva é a vocalização. Diferente da ‘rainha das florestas’ e de outros grandes felinos como leões, tigres e leopardos, a onça-parda não esturra, nem urra: o som emitido é similar a um miado.
Ágil, o felino é capaz de realizar grandes saltos tanto em distância quanto em altura, além de conseguir escalar árvores com facilidade, seja para alcançar uma presa ou fugir de ameaças.
A onça-parda é um dos felinos mais bem adaptados aos diferentes ambientes
Felipe Peters/Arquivo Pessoal

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