domingo, maio 9, 2021

Websérie 'Cantos da Amazônia' une profissionais em defesa das aves


Episódios são apresentados pelo ornitólogo Mario Cohn-Haft; técnicas de observação e dicas para identificar espécies são alguns dos temas já divulgados. Projeto audiovisual compartilha ciência de um jeito simples
Reprodução/Cantos da Amazônia
“O encantamento da descoberta, na verdade, não depende de descobrir uma coisa que ninguém sabia antes. Depende de descobrir uma coisa que você não sabia antes”. A frase, do ornitólogo Mario Cohn-Haft, resume bem o sentimento dos envolvidos no projeto ‘Cantos da Amazônia’, uma websérie que aborda temas como identificação de aves, destinos para a prática do birdwatching, informações e curiosidades sobre aves urbanas e história da ornitologia, além de detalhes sobre descobertas de novas espécies.
A missão de produzir esse conteúdo audiovisual para o Youtube foi encarada durante a pandemia pelo ornitólogo, em parceria com o fotógrafo de natureza Marcos Amend, a produtora Carolina Fernandes e a bióloga Priscilla Diniz. Tudo foi gravado próximo às casas de Mario, Marcos e Carolina, já que os amigos moram em Manaus. “O assunto é Amazônia e o foco inicial é Manaus, porque estamos em pandemia e precisamos produzir perto de casa. Mas a pretensão é viajar mais, cobrir lugares mais longes, remotos, seguindo sempre o tema Amazônia”, comenta Mario.
Mario Cohn-Haft fala sobre importância da divulgação científica
Para tirar a ideia do papel e levar conhecimento científico ao público leigo foi necessário um trabalho em equipe: com anos de experiência em fotografia de natureza, Marcos Amend garante a captação de imagem e som. O material é apresentado por Mario, que compartilha a informação técnica a partir de roteiros desenhados por Carolina. O produto final é divulgado pela bióloga Priscilla nas redes sociais, que também acompanha e auxilia nas gravações em campo.
“Há um deslumbramento e envolvimento com conteúdos que captam e apresentam a beleza cênica e, se adicionamos a eles uma pitada de carismáticos passarinhos, o interesse é intensificado. Unindo as imagens com histórias de fácil compreensão, mas ainda carregadas de conhecimento biológico, somos capazes de alcança qualquer pessoa disposta a reservar alguns minutos do dia para assistir aos episódios”, comenta Priscila.
Canal conta com cinco episódios; vídeos apresentam detalhes de ornitologia e birdwatching
Reprodução/Cantos da Amazônia
“A gente tentou apresentar temas que despertassem o interesse em um público mais abrangente, atingindo não só os passarinheiros, mas outras pessoas que não são admiradoras da natureza ou não tinham parado para contemplar as aves ao redor”, comenta a documentarista Carolina Fernandes, que destaca uma característica importante na produção. “O grande diferencial dessa produção é o rigor científico. Acho que essa é uma das premissas: passar uma informação de qualidade, com base científica e não com base no sensacionalismo e na audiência que o audiovisual às vezes busca”, completa.
O projeto tenta fazer com que as pessoas se apaixonem pela natureza e se sensibilizem de uma maneira que nunca foram sensibilizadas. Acho que esse é um papel até social que a gente faz, como documentaristas. Tentamos usar do poder do audiovisual para educar e sensibilizar as pessoas quanto à proteção da natureza
E conteúdo não vai faltar para o grupo: a Amazônia, bioma mais extenso do Brasil, ocupa uma área de aproximadamente cinco milhões de quilômetros quadrados, o que equivale a mais de 40% do território nacional. Nela, vivem 1.300 espécies de aves, 1.800 espécies de peixes, 350 répteis, 311 mamíferos e 163 anfíbios, além de 30 mil espécies de plantas.
Poder compartilhar toda essa diversidade com o mundo é o sonho dos idealizadores do projeto. “Já estamos trabalhando os próximos vídeos, abordando assuntos como técnicas de observação de aves com o uso de gravações, mais questões de identificação diferenciando espécies, e outros detalhes da ornitologia – como por exemplo explicações sobre a musculatura das aves em voo; apresentadas de forma descontraída e divertida”, revela Mario.
Episódio que mostra torre de observação de aves é destaque para a bióloga Priscilla
Reprodução/Cantos da Amazônia
Observadora de aves desde criança e pós-graduanda da Universidade Federal do Amazonas, Priscilla destaca o episódio “Verde cima” como o mais marcante para ela. “Cada um dos episódios tem seus encantos e brilhantismo, mas esse especificamente é especial porque me faz remeter ao sentimento arrebatador que tomou conta do meu corpo quando, pela primeira vez, subi em uma torre de observação e me entendi como parte (embora muito pequena) da imponente Amazônia”, lembra a bióloga, que reforça ainda os encantos de outros sons da floresta.
“Embora nossa mente nos guie quase intuitivamente para as aves quando falamos de sons de animais, não podemos deixar de destacar o conhecimento que adquirimos de forma crescente acerca do canto das baleias, dos sons emitidos pelos morcegos ou mesmo por quelônios, anuros, insetos entre outros. As imagens são igualmente importantes e relevantes, seja através da documentação visual de comportamentos desconhecidos, aberrações cromáticas ou mesmo o registro de uma espécie em um local inesperado”, finaliza.
O fotógrafo de natureza Marcos Amend é o responsável pela captação de imagem e som
Reprodução/Cantos da Amazônia
Próximos voos
Os cinco primeiros episódios da série foram financiados por um edital da Lei Aldir Blanc – criada no ano passado para ajudar profissionais do setor cultural durante a pandemia da Covid-19. O fotógrafo Marcos Amend destaca os próximos passos em busca de incentivo.
“A ideia é que o Cantos comece e nunca termine. Estamos produzindo novos episódios para não perder a sequência e o engajamento do canal, mas trabalhando bastante na prospecção de novos apoios, que são fundamentais. Meu amigo costuma dizer que ‘o problema de fazer uma produção independente é que você depende de todo mundo pra tudo’, e é exatamente assim. Então a gente quer fazer uma coisa mais profissional, a gente achou uma linguagem bacana e queremos seguir nessa linha, com a equipe que formamos”, conta.
Os especialistas apostam no audiovisual como ferramenta de divulgação científica
Reprodução/Cantos da Amazônia
A busca por apoiadores é só um dos desafios encarados pelo fotógrafo, que precisou “mergulhar” nas técnicas de filmagem para produzir a série. “O ‘Cantos da Amazônia’ foi um processo de aprendizagem, eu tive que aprimorar mais a captação audiovisual. Se a ave der dois segundos de bobeira você consegue fazer 20 fotos, mas não é tempo suficiente para garantir um vídeo. Então as filmagens são muito mais desafiadoras e complexas, mas eu não gosto de falar que é difícil, porque eu adoro ficar no meio do mato. Mesmo sem conseguir capturar o take, só observando aquela espécie, já fico feliz”, comenta Marcos.

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