domingo, fevereiro 28, 2021

Apoio a Bolsonaro cai em meio a piora da pandemia e fim de auxílio emergencial, mostra XP/Ipespe

SÃO PAULO – A virada de ano para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi marcada por uma piora nos níveis de aprovação de seu governo e uma percepção mais negativa dos eleitores sobre a forma como a atual administração tem lidado com a pandemia do novo coronavírus. É o que mostra nova edição da pesquisa XP/Ipespe, divulgada nesta segunda-feira (18).

Segundo o levantamento, o percentual de eleitores que avaliam a atual administração como ótima ou boa caiu de 38% para 32% em um intervalo de um mês. É o menor patamar desde julho do ano passado, quando o país passava pelas maiores taxas de casos confirmados e mortes diárias provocadas por Covid-19.

Já o grupo dos que classificam o governo como ruim ou péssimo foi de 35% em dezembro para atuais 40% – maior marca em seis meses. Outros 26% veem a atual gestão como regular, ao passo que 2% preferiram não responder.

O movimento coincide com o agravamento da situação da pandemia no país e o aumento no nível de preocupação da população com a crise sanitária.

De acordo com o levantamento, 77% dos entrevistados estão com um pouco ou muito medo. De outubro para cá, subiu de 30% para 56% o grupo dos que acreditam que o pior da pandemia ainda está por vir.

A pesquisa foi realizada no período de 11 a 14 de janeiro – portanto, capturou parcialmente os impactos do colapso do sistema de saúde no Amazonas com a falta de oxigênio para pacientes nas unidades médicas – e ouviu 1.000 eleitores de todas as regiões do Brasil por meio de entrevistas telefônicas conduzidas por operadores. A margem máxima de erro é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Para 52% dos entrevistados, a atuação de Bolsonaro no enfrentamento ao novo coronavírus tem sido ruim ou péssima – salto de 4 pontos percentuais em comparação com dezembro e maior patamar em sete meses. Já os que avaliam positivamente a gestão da crise somam 23% – oscilação negativa de 3 pontos percentuais no mesmo comparativo.

A piora na percepção ocorreu até mesmo entre eleitores que dizem ter votado em Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Em dezembro, 48% avaliavam positivamente a gestão da crise – agora são 42%. O grupo chegou a somar 51% em abril do ano passado. Hoje, 27% dos que dizem ter votado em Bolsonaro dizem que sua atuação na crise é ruim ou péssima.

Entre os que hoje classificam positivamente o governo, 31% dizem que a atuação no combate à pandemia é ruim ou péssima, o que corresponde a um salto de 14 pontos percentuais em relação a dezembro. Por envolver apenas uma fatia da amostra pesquisada, é natural que o recorte sofra mais flutuações e tenha maior margem de erro elevada. Mas os números chamaram a atenção dos analistas.

O movimento contrasta com a avaliação sobre a atuação de governadores durante a crise, considerada positiva por 36% dos eleitores – uma oscilação negativa de apenas 1 ponto percentual em comparação com o mês anterior. As classificações negativas, por sua vez, foram de 27% para 25% no período.

O desempenho negativo de Bolsonaro também coincide com o fim do auxílio emergencial – instrumento que beneficiou mais de 70 milhões de desempregados, trabalhadores informais e beneficiários outros programas sociais durante a pandemia. O auxílio, encerrado em dezembro mas ainda com as últimas parcelas sendo distribuídas no início de 2021, pagou R$ 600 mensais em seu início.

Mas não foi observada evidência estatística forte que mostrasse um impacto relevante do fim do benefício sobre a popularidade do presidente. Pelos cruzamentos do levantamento, até o momento, há pouco desvio de trajetória na avaliação de governo entre quem foi ou não contemplado pelo programa.

A rodada de janeiro da pesquisa mostrou, ainda, que 50% dos entrevistados defendem que seja criado outro programa semelhante ao auxílio emergencial por mais alguns meses. Outros 20% defendem a ampliação do Bolsa Família, enquanto 25% dizem que nenhuma das duas coisas deveriam ser feitas.

Em relação ao que acreditam que será a postura adotada pelo governo, os eleitores mostram uma divisão entre os que apostam em alguma ampliação de benefício (45%) e os que não acreditam nisso (47%).

Embora não se tenha identificado correlação significativa entre o fim do auxílio emergencial e a tendência negativa para a aprovação de Bolsonaro, há um risco de o efeito ser mais visível nos próximos meses, quando não houver mais parcelas a serem pagas.

Um dos cruzamentos da pesquisa mostra que 13% avaliam o governo positivamente e acreditam que deveria haver uma prorrogação no benefício ou ampliação do Bolsa Família. Na visão dos analistas, isso significa que 13 pontos percentuais dos 32% de aprovação de Bolsonaro estão sob maior risco de eventual frustração – e, portanto, mudança de percepção sobre a atual administração.

Receba o Barômetro do Poder e tenha acesso exclusivo às expectativas dos principais analistas de risco político do país

Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

The post Apoio a Bolsonaro cai em meio a piora da pandemia e fim de auxílio emergencial, mostra XP/Ipespe appeared first on InfoMoney.

Ultimas Notícias

Câmeras de segurança registram ação de suspeitos durante furto a loja de informática em Itapira

Ação da dupla causou um prejuízo de R$ 6 mil, segundo a proprietária....

Vizinhança se mobiliza para ajudar moradores do Jardim Samambaia após chuva forte em Campinas

Pelo menos 18 famílias ficaram desabrigados após a chuva que atingiu a cidade na sexta-feira (26), segundo a...

Covid-19: família de idoso registra boletim de ocorrência após falha durante vacinação em Vinhedo

Moradora relatou que enfermeira inseriu seringa vazia no braço do homem. Profissional de saúde foi ouvida na delegacia...

Campinas estuda acordo emergencial a 2 meses para fim de contrato do transporte público

Prefeitura avalia melhor formato para prestação do serviço após 29 de abril. Após ficar suspensa, nova licitação teve...

Covid-19: 91% dos brasileiros acreditam na eficácia das vacinas

Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a empresa de programa de fidelização Dotz aponta que 91% dos brasileiros acreditam que as...
- Advertisement -