quinta-feira, fevereiro 25, 2021

Governo Biden pode ser ponto de virada na cooperação internacional, diz Sérgio Duarte

Decepcionados com os resultados de ações multilaterais, alguns países, “principalmente os mais poderosos”, se afastaram, nos anos recentes, da comunidade internacional e adotaram políticas isoladas para enfrentar problemas mundiais. Contudo, a eleição de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos, cujo mandato se inicia no próximo dia 20 de janeiro, pode representar a reversão do processo de “ensimesmamento” das nações, de acordo com o embaixador aposentado Sérgio Duarte.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Duarte avalia que divergências em relação à segurança internacional e às políticas de preservação do meio ambiente derivaram para outras pautas, minando ações globais conjuntas, como o combate à pandemia de covid-19.

“A vitória do candidato democrata Joe Biden talvez modifique um pouco essa tendência ao ensimesmamento, no entendimento de que também é do interesse de um país se relacionar cooperativamente com o restante da comunidade internacional”, conjectura o diplomata.

“No período recente – não apenas nos Estados Unidos, mas em outros países também –, houve um afastamento em relação às organizações da comunidade internacional. Talvez até porque essas organizações não tenham correspondido inteiramente às expectativas dos países”, pondera.

Duarte, que foi embaixador do Brasil na China, na Áustria e no Canadá e alto representante da Organização das Nações Unidas (ONU) para Assuntos de Desarmamento, explica que organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), não impõem ordens aos países, de modo que o enfraquecimento do multilateralismo não é uma desobediência.

“As Nações Unidas não é soberana. Soberanos são os países que a formam. As Nações Unidas não mandam em ninguém”, pontua.

Especificamente sobre a expectativa de ver mais colaboração dos Estados Unidos em relação a temas de interesse mundial sob a presidência de Joe Biden, o embaixador ressalta que isso não deve ser confundido com a política externa norte-americana.

“O que diferencia basicamente os republicanos dos democratas são as suas visões internas, não tanto as externas. Os interesses permanentes dos Estados Unidos são bastante compartilhados entre os dois partidos”, salienta.

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