segunda-feira, março 8, 2021

A não-vacinação é terreno fértil para o vírus mutante

4 de janeiro, 18h03: As pessoas acham que vacinas são como um remédio comprado em farmácia. Tomam a dose recomendada e curam todo o mal. Se você tem uma úlcera ou uma arritmia cardíaca, por óbvio não contagiosas, a realidade pode ser dura, mas sua condição de saúde é um problema individual. No caso da Covid-19, não. Se eu, como voluntária, me vacinar nos próximos meses, como é o compromisso do estudo clínico do qual sou parte, e boa parcela da sociedade simplesmente se recusar a receber o imunizante, todos estaremos vulneráveis ao vírus que já matou quase dois milhões de pessoas no mundo inteiro.

O SARS-Cov-2 conseguiu se adaptar muito bem à espécie humana e se espalha muito, muito rápido. Cada vez que ele é transmitido, vai fazendo cópias de si mesmo. Nessas cópias, não é raro que alguma coisa fique fora do lugar. Essa pecinha replicada de forma diferente é a mutação, que pode, por exemplo, deixar o vírus mais mortal (como ainda não aconteceu na pandemia de Covid-19) ou mais transmissível (como ocorreu com a cepa recentemente descoberta no Reino Unido e que já se espalhou por pelo menos outros 27 países, incluindo o Brasil).

Voltemos à vacina. Se tivermos um grande universo de pessoas imunizadas após receberem antígenos da Pfizer, da Moderna ou da Sinovac (não importa), o vírus vai ter um território mais restrito para circular. E vai, portanto, fazer menos cópias dele mesmo. Com menos réplicas, será mais baixo o risco de mutações.

Vírus mutantes são um verdadeiro desafio para as vacinas. Imagine a cena: a pessoa recebe a dose na vez dela no Plano Nacional de Imunizações e, com ela, o corpo passa a reconhecer aquele agente invasor específico e a produzir anticorpos para matá-lo. Se a cada momento o vírus mudar de feição, o sistema imunológico, que aprendeu a combater um inimigo só, estará diante de um novo oponente. E pode ter que começar do zero. Se poucos se vacinarem e boa parte dos brasileiros não, é grande o risco de vírus mutarem mais (porque farão mais cópias de si mesmo), e os anticorpos que eventualmente os vacinados tenham desenvolvido podem ser inúteis diante da nova cepa.

Esta explicação extremamente didática foi feita ao blog pela epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ethel Maciel. “A vacinação é uma estratégia coletiva. Se não atingirmos a imunidade de rebanho, não funciona e não adianta eu ou você tomarmos a vacina individualmente. As mutações que o vírus sofreu até o momento não mudaram a estrutura dele, e isso, quando ocorrer, vai ser um grande problema”, diz ela. Vírus de RNA, como o coronavírus, são os reis da mutação. O HIV, que também é um vírus de RNA, sofre tantas mutações que tem impedido que cientistas produzam uma vacina eficaz contra ele.

“A grande preocupação dos órgãos internacionais desde o início é desacelerarmos a transmissão”, explica Maciel. “Desde o início a OMS diz que não adianta os Estados Unidos vacinarem, a França vacinar. Tem que vacinar todo mundo, porque senão o vírus, depois de mutado, pode driblar a vacina”, afirma ela.

A mutação ainda não ocorreu na estrutura do vírus, o que indica, pelo menos por enquanto, que os imunizantes que estão sendo produzidos são eficazes para conter as formas conhecidas do novo coronavírus. O problema é que, como vírus de RNA, é provável, diz Ethel Maciel, que a estrutura do agente causador da Covid-19 sofra alterações estruturais. E, neste pior cenário, ainda não se sabe se os tão sonhados imunizantes serão muito eficientes.

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