domingo, fevereiro 28, 2021

Covid-19: internações aumentam 20% em hospitais de SP; 25% vêm de fora

Nas últimas semanas, os hospitais particulares da cidade de São Paulo registraram aumento de cerca de 20% no número de internações por Covid-19. Entre os pacientes internados atualmente, cerca de 25% não são residentes da capital paulista, de acordo com levantamento feito por VEJA com seis hospitais da capital.

No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, cerca de 120 pacientes estão internados pela doença, o que configura um incremento de 26% em relação à média dos dois últimos meses, quando os números variavam entre 80 a 110 pacientes.  No HCor, havia 30 pacientes internados por Covid-19 em 31 de outubro. Na sexta-feira, 13, eram 36.

No Hospital Albert Einstein, 68 pacientes estavam internados por Covid-19 na sexta-feira, 13, o que corresponde a um aumento de 23% em relação à média de internados por Covid-19 registrada entre última semana de setembro e o dia 12 de novembro. O número de testes para diagnóstico de Covid-19 realizados no local esta semana também aumentou 17% em comparação com 15 dias atrás.

Em comunicado, o Hospital 9 de Julho e o Hospital Santa Paula informam que houve um “discreto aumento da taxa de ocupação em quarto privativo por pacientes com casos de doenças respiratórias, incluindo a Covid-19.” Por outro lado, “as internações em UTI estão estáveis há três meses”.

Especialistas ouvidos por VEJA afirmam que ainda é cedo para classificar a situação como um novo aumento significativo das curvas. Mas é um alerta. “O aumento é real e está em todos os hospitais particulares de São Paulo. É cedo para falar que é uma nova fase de alta, mas temos que ficar atentos.”, diz a infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês.

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Um incremento no número de novos casos já era esperado após o relaxamento das medidas de distanciamento social, em especial nas classes mais altas. Dados da quarta fase do projeto de monitoramento da soroprevalência do SARS-CoV-2 no Município de São Paulo (SoroEpi), mostraram que 26,2% da população adulta da capital já foram infectadas pelo novo coronavírus. A taxa nos distritos mais ricos é significativamente menor do que nos distritos mais pobres: 21,6% e 30,4%, respectivamente.

“Nas classes atendidas pelos hospitais particulares, as pessoas que tiveram Covid-19 é menor do que quem é atendido pelo SUS porque essas pessoas puderam fazer mais isolamento social, com a possibilidade de trabalhar em home office, por exemplo. Agora que elas voltaram a circular, em especial os jovens, elas estão suscetíveis a pegar a doença novamente”, explica Mirian.

Esse aumento ainda não teve impacto nos números globais da doença em São Paulo. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de ocupação de leitos de UTI de Covid-19 no hospitais municipais na quinta-feira, 12, era de 35%, uma taxa bem inferior das registradas em abril (56%), maio (92%) e junho (59%). No entanto, houve um aumento de 9% no número de pacientes internados por Covid-19 nos hospitais municipais e de 4,7% nos pacientes internados em UTI.

Na quinta-feira, 12, o governador de São Paulo afirmou que as internações causadas por Covid-19 não estão crescendo no estado. “Números de São Paulo não estão piorando. Os aumentos de internação não se confirmam nos indicadores que acompanhamos. Variações de um dia para o outro acontecem. Mas em períodos maiores, como na média móvel, não se confirma o aumento. É definitivo? Não é. Então continuaremos acompanhando”, disse João Gabbardo, secretário-executivo do comitê de contingência do novo coronavírus, em entrevista coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes.

Embora ainda não haja um aumento generalizado dos casos da doença, a infectologista relembra que os primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus no Brasil começaram pelos hospitais particulares. Portanto, é preciso estar atento. “É preciso ter cautela e acompanhar a evolução dos dados”, afirma a infectologista Mirian.

A mensagem é clara: a pandemia está controlada, mas não acabou. Para evitar que o cenário observado na Europa e nos Estados Unidos se repita por aqui, é fundamental não relaxar e manter todas as medidas de prevenção, em especial, uso de máscaras, manter distância mínima de 2 metros de outras pessoas, não participar de aglomerações e higienização constante das mãos. Ao menos, até a chegada da vacina.

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