sábado, maio 15, 2021

É preciso impedir o rejuvenescimento da pandemia

Os dados mais recentes sobre a Covid-19 no Brasil, apresentados no recém-divulgado relatório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), revelam uma tragédia ainda mais profunda do que se imaginaria, se tal é possível. O relatório informa que houve um aumento de nada menos que 1.081,82% no número de óbitos causados pela doença entre pessoas com idades de 20 a 29 anos. O aumento de casos entre aqueles de 40 a 49 anos foi de 1.173,75%, e neste grupo o aumento da mortalidade foi de 933,33%. Todos os dados dizem respeito à comparação entre a semana de 3 a 9 de janeiro e a de 4 a 10 de abril, ambas deste ano.

É preciso tomar fôlego para lidar com números dessas magnitudes. Eles evidenciam não só a situação de descontrole da disseminação do coronavírus como a dificuldade de fazer com que os jovens se protejam – seguindo protocolos de segurança, mantendo distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos. A ocupação de leitos de UTI por pacientes com menos de 70 anos, que em janeiro era de 52,7%, em abril passou a 72%. Além disso, a contaminação dos jovens tem ocorrido em muitos casos com a variante P1, mais facilmente transmissível que a versão original e que desafia a eficácia de algumas das vacinas hoje disponíveis. O que se vê é um rejuvenescimento da pandemia, e isso precisa ser combatido.

Os jovens se veem hoje colocados diante de perspectivas bastante desafiadoras, e têm ficado, com razão, amedrontados. Afinal, a Covid-19 não só embute o risco de levar alguém ao óbito em um período muito curto, como pode deixar traços que acompanharão a pessoa por toda a vida. E a perspectiva, para alguém em seus 20 e uns poucos anos, de viver outros 50 carregando, por exemplo, uma sensação de exaustão física ao menor esforço é certamente para se temer.

A vacinação progride a passos lentos, e não há expectativa de que essa situação se inverta no curto prazo. Medicamentos para curar a Covid-19, ou preveni-la, como já está amplamente verificado, não existem e não virão em socorro de ninguém em qualquer futuro previsível. Isso pode soar amargo, mas não é nada mais que o fato. O isolamento social tem também suas consequências: não é sem prejuízos profissionais, educacionais, afetivos e de outras ordens que ficamos afastados do convívio com amigos e familiares.

A angústia deve se tornar ainda mais aguda quando se mostram cenas de países como Israel, em que as pessoas já podem se reencontrar ao ar livre sem máscaras, ou Reino Unido, com seus tradicionais pubs voltando a ser frequentados. Enquanto parte do mundo começa a recolocar a vida normal nos trilhos, aqui algumas projeções colocam o número de óbitos em 500 mil ou mais até maio.

As evidências são eloquentes demais: a exposição maior dos jovens acelera o contágio e leva à disparada de casos e óbitos que a Fiocruz aferiu. Ouvir as recomendações das autoridades sanitárias talvez nunca tenha sido tão importante como agora. Sendo o cenário o que é na questão da imunização, tais recomendações são pequenas coisas que fazem toda a diferença.

Os jovens de hoje passam pelo que pode muito bem ser o período mais crítico de suas vidas. Não se pode fugir da realidade: aquela visita rápida ao grupo de amigos, a festa que há tempos estava programada, a máscara deixada em casa porque é desconfortável – não é preciso mais que um único descuido, e toda uma vida pode mudar radicalmente com a contaminação pela Covid-19. O jovem precisa saber que conta com apoio, que, grave como é, a pandemia vai ter fim e que ele logo poderá voltar a sonhar e planejar seu futuro. Não se pode deixar que o medo da doença paralise, mas não se pode enfrentá-la sem método, sem um plano. A prevenção hoje, ainda que angustiante, será vista como aquilo que tornou esse futuro possível.

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