segunda-feira, março 8, 2021

O forte papel da frutose no ganho de peso

A obesidade é classicamente definida como uma doença multifatorial, ou seja, ocasionada por inúmeros fatores, que vão desde aspectos nutricionais até genéticos, metabólicos, sociais, emocionais e culturais.
No cenário epidemiológico atual, a obesidade surge como uma importante alteração no estado nutricional, se associando, a longo prazo, com inúmeras doenças crônicas não transmissíveis, como a diabetes, hipertensão e até mesmo o câncer.
Embora seja uma doença de etiologia multifatorial, o comportamento alimentar, em combinação com o sedentarismo, estão entre os principais desencadeantes da obesidade.

O consumo excessivo de alimentos processados e ultraprocessados, geralmente com alta densidade energética e grandes quantidades de açúcar, sal e gordura, tem impulsionado o crescimento da obesidade em todo o mundo.
Em especial, a alta quantidade de açúcares de adição presente nestes alimentos, no intuito de melhorar a palatabilidade e até mesmo intervir em outras características, como textura, viscosidade, cor e durabilidade, é ponto fundamental de preocupação.

O xarope de milho, por exemplo, presente em uma ampla gama de ultraprocessados, é rico em frutose, o principal açúcar utilizado para adoçar alimentos industrializados.

Alguns estudos recentes tem demonstrado que o elevado consumo de frutose (e aqui me refiro aos açúcares de adição e não à frutose natural presente na fruta), pode promover o aumento da adiposidade visceral e resistência à insulina. Além disso, sua ingestão elevada poderia ainda culminar no aumento dos triglicérides, desregulação do metabolismo de lipídeos e ocorrência de esteatose hepática.

Não à toa, uma das medidas para o controle e tratamento da obesidade diz respeito a diminuição no consumo de alimentos ricos em açúcares, como bebidas adoçadas, bolachas de pacote e guloseimas no geral.
Por isso, a palavra de ordem quando falamos deste assunto é moderação. Uma alimentação saudável e equilibrada não deve proibir nenhum alimento, mas é fundamental nos atentarmos à qualidade de nossas escolhas alimentares como um todo.

<span class="hidden">–</span>Ricardo Matsukawa/VEJA.com
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