sábado, fevereiro 27, 2021

Oxford: Fiocruz sugere intervalo máximo entre primeira e segunda dose

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por elaborar a bula e finalizar as doses iniciais da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, recomendou ao Ministério da Saúde que o intervalo entre as duas doses no Brasil se dê em 12 semanas, o prazo máximo considerado nos estudos com voluntários para o desenvolvimento do antígeno. A decisão final deverá ser comunicada pela pasta da Saúde que organiza o Programa Nacional de Imunização.

De acordo com o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, a decisão está de mãos dadas com pesquisas científicas preliminares com o imunizante, que pontuam para proteção inicial de 73%, ao longo de pelo menos três meses. Segundo um documento elaborado por Krieguer, e que circulou internamente na Fundação, a dose única também evitou surgimento casos graves da doença. “Neste desfecho secundário foi observado 100% de proteção (após 22 dias da primeira dose) em todas as manifestações clínicas severas da doença ou hospitalizações, conforme o critério clínico da OMS”, está no escrito.

Em entrevista à reportagem de VEJA, o especialista ressaltou que não se trata, portanto, de adotar simplesmente a posologia única, mas sim, postergar a segunda aplicação até o prazo máximo, que seriam esses três meses. Para que se aplique dose única ainda é necessário que ocorra mais análises técnicas. “Olhando para esses resultados científicos temos a segurança em dizer que há 73% de eficácia desde  a dose inicial. O reforço poderá tranquilamente ser postergado para que possamos imunizar o maior número de pessoas neste primeiro momento. Começaríamos a aplicar as segundas doses somente em maio”, esclareceu.

Diante deste entendimento, será possível que aproximadamente 50 milhões de brasileiros recebam aplicações da vacina de Oxford até abril. Até janeiro deste ano, quando era considerado um intervalo menor de aplicação, acreditava-se que até a mesma altura do ano seria possível vacinar somente metade deste grupo com duas doses.

A instituição enfrenta um atraso da entrega do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), a matéria-prima para desenvolvimento da vacina, enviado por uma fábrica da China credenciada pela AstaZeneca. Para remediar a demora, contudo, a Fiocruz dobrará a capacidade de produção em março e abril de 15 milhões de doses por mês, para 30 milhões de doses ao longo do mesmo período. “Estamos muito otimistas e confiantes com os próximos meses”, diz Krieguer,

O primeiro carregamento da vacina AstraZeneca chegou ao Brasil na sexta-feira, 22. São 2 milhões de doses encaminhadas pelo Serum Institute, da Índia, um parceiro anunciado nas últimas semanas para justamente iniciar o mais breve possível a distribuição de imunizantes no país.

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