sábado, abril 17, 2021

Sars-CoV-2: mau pedagogo, bom conselheiro!

Todos os dias a pandemia de Covid-19 entrega ensinamentos, mas nosso pequeno e heterogêneo aprendizado faz imaginar que este vírus, muito embora de extrema competência destrutiva, é péssimo didata.

Há muito tempo sabíamos que o uso de máscaras e medidas de higiene pessoal são condutas protetoras contra todas as viroses e para aquelas com altas taxas de transmissão e elevadas letalidades o distanciamento social é a melhor maneira para conter a disseminação.

Mas, após um período de súbito e amplo respeito mundial às habilidades do Sars-CoV-2, observadas facilmente no colapso sanitário italiano, rapidamente surgiria nichos sociais contestadores das diretrizes científicas para conter a propagação da virose, grupos eventualmente liderados ou estimulados por chefes de estado.

Embora manter a vida cotidiana sem restrições sabidamente oferecesse milhões de organismos humanos para este agente infeccioso prosperar sua destruição, o discurso dos defensores deste comportamento apregoava que o número de vidas perdidas pela miséria resultante do desmantelo das cadeias produtivas e de consumo, seria maior que aquele proveniente da doença em curso.

Este ideário de viés econômico, que já continha defensores de crendices medicamentosas curativas, ganhou densidade agregando enorme contingente de opositores da ciência, e então, muito rapidamente o movimento doutrinava não só a exposição populacional ao vírus, mas também vociferava contra as vacinas.

Porém, a evolução errática da Covid-19 por todo o mundo demonstrou que desrespeitá-la não traz os sonhados balanços financeiros positivos e ainda desdenha a vida com imenso sadismo, dada a enorme brutalidade com a qual este vírus encerra o ciclo terreno de milhões de pessoas.

Em meio a tantas divergências foi pequeno o número de governos capaz de implementar vigorosamente medidas restritivas diante dos primeiros casos da doença e foram poucos os exemplos que restaram para demonstrar os espetaculares resultados que seriam conquistados se essas ações tivessem sido consenso planetário.

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E agora somos bilhões submissos a uma única expectativa: a vacina. Mesmo o imenso bloco materialista equaliza seus anseios e engrossa o coro vacinal dia após dia, surgindo ainda sub setorizados espasmos concordantes com as medidas restritivas.

Mas, viver continua significando ingerir alimentos e as contas da sobrevivência são compostas também por débitos de energia elétrica, água e impostos prediais, enquanto são vários os empenhos assumidos por terem sido imaginados pagáveis.

Então, implementar ações que nos mantenham absolutamente distantes um dos outros, longe das ruas, sem que exerçamos nossas funções laborativas, obrigatoriamente impõem uma despesa que não pode ser paga pelo cidadão comum.

Vê-se que a manutenção das estruturas sociais nas várias democracias do mundo solicita urgentemente patrocinadores e para o caso de governos sem sólidas reservas, a insistência viral em renovar suas habilidades pode decretar amplas insolvências.

Aproximadamente metade da população brasileira pertence a famílias, com média de três integrantes, as quais detém 0,8 % da renda do País e custeiam suas sobrevivências com menos de dois salários-mínimos mensais. No outro extremo, dez por cento dos brasileiros possuem quarenta por cento da renda nacional.

Se a “formação pedagógica” do vírus não é das melhores, ao menos nos mostra com clareza os bolsos intimados a pagar esta conta, sob pena de despedaçamento da larga e robusta base da pirâmide social, justamente aquela que alicerça estrutura.

Fica a dica!

<span class="hidden">–</span>Ricardo Matsukawa/VEJA.com
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