quinta-feira, março 4, 2021

Variante sul-africana desafia vacinas e força imunização mais rápida

30 de janeiro, 9h12: O Brasil chegou a 1,7 milhão de vacinados contra a Covid enquanto comemorávamos, os voluntários da Janssen, o anúncio de que o imunizante desenvolvido pelo laboratório tem eficácia de 66% para casos de moderados a graves e de 85% contra hospitalizações e morte. É mais um sopro de esperança para que o mundo possa retornar à normalidade, mas que esbarra no desafio de lidar com as novas variantes do vírus, mais transmissíveis e, portanto, causadoras exponenciais de sucessivos colapsos em sistemas de saúde. Foi assim que lidei ao sopesar a vitória pessoal de ver os resultados da vacina experimental que me propus a testar no ano passado e o futuro incerto de termos de enfrentar importantes mutações do microrganismo que já matou 2.207.711 em todo o mundo.

A variante que mudou o curso da história do Amazonas ainda está sendo estudada pelos fabricantes de vacina, mas os testes envolvendo a cepa encontrada na África do Sul acenderam um preocupante sinal de alerta: o escape de mutação. Este fenômeno acontece quando o imunizante não consegue conter a nova cepa do vírus e se torna menos eficaz globalmente. A vacina da Johnson & Johnson, por exemplo, não teve grande cobertura contra a nova forma do vírus encontrada na África – 57%. No caso do imunizante desenvolvido pelo Novavax, com resultados ainda relativos a um pequeno grupo de pacientes, o número foi ainda mais desanimador: 49%.

Quando acontece o escape de mutação, como estamos vendo bem diante dos nossos olhos no caso sul-africano, a saída é imunizar cada vez mais rápido a população com todas as vacinas disponíveis para evitar que o vírus se multiplique indiscriminadamente. Vacinar rápido ajuda porque cada vez que o vírus é transmitido, ele vai fazendo cópias de si mesmo – e as mutações são cópias com alguma coisa diferente ou fora do lugar. Com mais gente blindada pela vacina, o vírus consegue se replicar em menor escala e, portanto, com menos chance de se copiar errado e gerar novas cepas.

“As vacinas se mostraram menos eficazes contra variante da África do Sul. A Novavax identificou que a variante sul-africana pode infectar pessoas que já haviam sido previamente infectadas pelo vírus ou até pessoas que já haviam sido vacinadas. O surgimento dessas novas variantes é uma grande ameaça, uma grande preocupação e, por isso, não podemos baixar a guarda”, disse ao blog a infectologista e vice-presidente do Sabin Institute, em Washington, Denise Garrett. Ex-integrante do Centro de Controle de Doenças do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, Garrett sabe do que está falando.

“Precisamos começar a atualização dessas vacinas. Temos que estar sempre à frente do vírus, e não correndo atrás do prejuízo. Temos que começar agora a nos preparar para a possibilidade de o vírus estar realmente escapando aos imunizantes e atualizar essas vacinas. Além do ajuste para as novas variantes, é importante diminuir a disseminação do vírus. A vacinação ampla do maior número de gente possível é mais urgente do que nunca”, explica ela.

Segundo a epidemiologista, as vacinas de RNA mensageiro, como as da Pfizer e da Moderna, são fáceis de atualizar. As de proteína recombinante, como a da Novavax, também. Mas nenhuma das outras devem ser desprezadas. A mensagem de Denise Garrett é clara: comparar uma vacina com outra é bobagem porque todas podem desempenhar papeis cruciais no enfrentamento da pandemia.

“Independentemente da eficácia menor contra variantes, por exemplo, todas as vacinas vão contribuir para combater a pandemia porque existem outros fatores que ajudam muito, como o fato de alguns imunizantes serem de fácil distribuição, como a CoronaVac, a de Oxford ou a da Janssen, e não precisarem de temperaturas ultra baixas para armazenamento”, diz ela.  “A melhor maneira de limitar o surgimento de mutações continua sendo limitar a disseminação do vírus. Quanto menor ciclos de replicação o vírus sofrer, menos mutações nós teremos”.

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