O transporte público de Campinas está próximo de ganhar um novo capítulo na região central. A Prefeitura anunciou, em 16 de julho, a contratação dos projetos executivos para a construção das estações do BRT Central, etapa que deve concluir a implantação do sistema na área que concentra o maior fluxo de passageiros da cidade. O contrato, no valor de R$ 745,2 mil, prevê a elaboração dos projetos de arquitetura e engenharia de quatro estações de transferência elevadas, além de adaptações no Terminal Central para receber a operação do novo corredor.
As estações previstas ficam localizadas nas avenidas Anchieta, Orosimbo Maia (em dois pontos distintos) e Moraes Salles, vias que já fazem parte do trajeto do Corredor Central do BRT. A escolha por plataformas elevadas segue o mesmo padrão adotado em outros terminais do sistema, como o BRT Ouro Verde, e tem como objetivo agilizar o embarque e desembarque dos passageiros, reduzindo o tempo de parada dos ônibus e aumentando a capacidade de transporte nos horários de pico.
Prazos e próximas etapas da obra
De acordo com a Administração municipal, o prazo para a conclusão dos projetos de arquitetura e engenharia é de quatro meses. Depois dessa fase, a Prefeitura deverá abrir a licitação específica para a execução das obras. A expectativa da gestão municipal é que todo o sistema do BRT Central esteja em pleno funcionamento até meados de 2028, um horizonte que envolve não apenas a construção das estações, mas também a adequação do Terminal Central para operar de forma integrada com os corredores já existentes.
O anúncio da contratação dos projetos não é um episódio isolado. No início deste mês, a Prefeitura já havia iniciado a implantação de piso rígido de concreto na Rua Irmã Serafina, parte de um conjunto maior de intervenções que compõem o chamado Corredor Central do BRT, formado pelas avenidas e ruas Moraes Salles, Irmã Serafina, Anchieta, Orosimbo Maia e Senador Saraiva. A escolha do concreto no lugar do asfalto convencional segue uma lógica técnica: segundo a Secretaria de Infraestrutura, o material é mais resistente ao peso dos ônibus articulados e exige menos manutenção ao longo do tempo, com vida útil estimada entre 20 e 30 anos.
Recursos federais garantem parte do investimento
As obras de infraestrutura do Corredor Central integram um pacote de investimentos de aproximadamente R$ 54 milhões oriundos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) 2, na modalidade Mobilidade Urbana Sustentável, do Governo Federal. O Termo de Compromisso entre a Prefeitura de Campinas e a Caixa Econômica Federal para viabilizar esses recursos foi assinado em novembro de 2024 e tem vigência até abril de 2029, o que garante o horizonte financeiro necessário para que as etapas de projeto e execução avancem sem grandes interrupções.
Vale lembrar que o sistema BRT de Campinas já está em operação plena em outras regiões da cidade. O modelo alcançou 100% de funcionamento das estações e terminais depois da inauguração do Terminal BRT Ouro Verde, no final de abril, encerrando um processo que levou anos e passou por diversas prorrogações desde o início das obras. Atualmente, a rede soma 36,6 quilômetros distribuídos por três corredores (Campo Grande, Ouro Verde e Perimetral), com sete terminais, 27 estações e dez paradas de embarque convencional.
Impacto no dia a dia de quem usa o transporte público
Para os moradores que dependem do transporte coletivo, a conclusão do BRT Central representa a integração de mais uma peça importante no quebra-cabeça da mobilidade urbana. Hoje, o sistema já transporta diariamente mais de 73 mil passageiros somente nos corredores Campo Grande e Ouro Verde, segundo estimativas da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas). A chegada de estações elevadas na região central deve ampliar ainda mais essa demanda, já que a área concentra grande parte dos deslocamentos ligados a trabalho, comércio e serviços públicos.
Enquanto os projetos avançam, moradores e comerciantes da região central devem observar, nos próximos meses, novas etapas de obras e possíveis alterações no trânsito local, à medida que a Prefeitura avança com a implantação do piso de concreto e, posteriormente, com a construção das estações elevadas. A administração municipal tem reforçado que as intervenções serão feitas por etapas, justamente para minimizar o impacto sobre o intenso fluxo de veículos e pedestres que já caracteriza o Centro de Campinas.
Fontes: ACidade ON Campinas, EMDEC e CBN Campinas

