Nova fonte de captação deve reduzir a dependência do Rio Atibaia e ampliar a segurança hídrica de Campinas nas próximas décadas.
Campinas se prepara para uma das mudanças mais importantes de sua infraestrutura de saneamento: a criação de uma nova fonte de abastecimento a partir do Rio Jaguari. O projeto faz parte do Sistema Produtor Campinas-Jaguari e ganha ainda mais relevância diante da necessidade de preparar a cidade para períodos de estiagem, crescimento populacional e mudanças climáticas. Atualmente, o Rio Atibaia é responsável pela maior parte da água utilizada no abastecimento municipal, o que deixa Campinas diretamente exposta às condições dos reservatórios e das vazões que sustentam esse manancial. (Sanasa)
A previsão é que a nova estrutura entre em operação nos próximos anos, ampliando a oferta de água tratada e criando uma alternativa estratégica para a cidade. Para o morador, a principal dúvida é o que isso muda na prática: se haverá menos risco de falta d’água, se o crescimento de Campinas poderá ser acompanhado por infraestrutura adequada e qual será o impacto sobre bairros, empresas e novos empreendimentos. A resposta passa por uma obra que não deve ser vista apenas como aumento de produção, mas como uma mudança na estratégia de segurança hídrica de Campinas.
Por que Campinas precisa de uma nova fonte de água?
A questão central do projeto é a dependência do Rio Atibaia. Segundo a Sanasa, Campinas trabalha para ampliar sua resiliência hídrica porque atualmente conta essencialmente com o Atibaia como principal fonte de abastecimento, enquanto o Rio Capivari responde por uma parcela menor. Essa concentração significa que períodos prolongados de estiagem podem pressionar a disponibilidade de água justamente quando a demanda permanece elevada. A própria companhia aponta o Sistema Produtor Campinas-Jaguari como um dos pilares do planejamento de longo prazo da cidade. (Sanasa)
O problema ganha dimensão regional porque o Atibaia integra um sistema de recursos hídricos que também está relacionado às necessidades de outras cidades das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Além disso, o Sistema Cantareira tem papel relevante na regulação das águas que chegam à região de Campinas, o que demonstra que o abastecimento municipal depende de uma estrutura hídrica muito maior do que os limites geográficos da cidade. A Agência Nacional de Águas acompanha diariamente níveis, vazões e volumes armazenados do sistema, especialmente diante dos períodos de maior pressão hídrica. (Serviços e Informações do Brasil)
A nova captação no Jaguari, portanto, não significa simplesmente acrescentar mais água à rede. O objetivo é diversificar as fontes e diminuir a vulnerabilidade de Campinas diante de eventos climáticos extremos. Essa estratégia também se torna importante para sustentar o desenvolvimento urbano, industrial e tecnológico do município, já que empresas e novos empreendimentos dependem de disponibilidade hídrica confiável para operar e investir. Em uma cidade com mais de um milhão de habitantes e forte atividade econômica, segurança hídrica passou a ser também uma questão de competitividade regional.
Como o Sistema Campinas-Jaguari pode afetar moradores e empresas?
O projeto prevê uma captação de aproximadamente 2 mil litros de água por segundo no Rio Jaguari, volume que será tratado e incorporado ao sistema de abastecimento municipal. A estimativa divulgada pela Sanasa é de que a nova estrutura tenha capacidade equivalente a cerca de metade do volume atualmente captado no Atibaia, representando um reforço significativo para a produção de água tratada de Campinas. O investimento anunciado para o Sistema Produtor Campinas-Jaguari é de cerca de R$ 750 milhões. (Correio 24 Horas)
Para os moradores, o benefício mais importante tende a ser indireto: maior segurança para atravessar períodos de baixa disponibilidade hídrica. Isso não significa que Campinas estará livre de qualquer risco de desabastecimento ou que o consumo consciente deixará de ser necessário. A existência de uma segunda fonte relevante, porém, aumenta a capacidade de planejamento da Sanasa e reduz a dependência de um único manancial, o que pode fazer diferença justamente nos momentos em que a pressão sobre os reservatórios aumenta.
O impacto também alcança empresas, condomínios e investidores. A disponibilidade de água é um dos elementos considerados na implantação e expansão de atividades industriais, comerciais e de serviços, especialmente em setores que utilizam o recurso diretamente em seus processos. Uma infraestrutura hídrica mais robusta pode contribuir para dar maior previsibilidade ao crescimento urbano e econômico, além de melhorar as condições para novos investimentos em Campinas e na Região Metropolitana. Nesse sentido, saneamento deixa de ser apenas um serviço básico e passa a funcionar como infraestrutura estratégica de desenvolvimento.
A obra também deve ser analisada junto a outras iniciativas da Sanasa. A companhia informa que vem substituindo redes antigas para reduzir perdas e ampliar a confiabilidade da distribuição, além de investir em reservatórios e em projetos de reúso. Em 2026, por exemplo, a empresa recebeu aprovação de R$ 251,75 milhões do BNDES para melhorias no abastecimento, incluindo ações de setorização e combate às perdas. (Sanasa)
O que muda para Campinas nos próximos anos?
A principal transformação esperada é a criação de uma infraestrutura hídrica mais preparada para uma cidade que continuará crescendo. O Sistema Produtor Campinas-Jaguari está sendo planejado como parte de uma estratégia de longo prazo, enquanto outras obras complementares procuram reduzir desperdícios, ampliar armazenamento e aproveitar melhor os recursos disponíveis. A Sanasa afirma que o sistema Campinas-Jaguari é justamente o projeto mais desafiador entre os pilares de seu planejamento para garantir resiliência diante das mudanças climáticas. (Sanasa)
Esse planejamento ganha força porque Campinas não está apostando em uma única solução. A empresa também avança com a Estação Produtora de Água de Reúso Anhumas, cuja operação está prevista para o primeiro semestre de 2027 e que terá capacidade para tratar esgoto gerado por até 600 mil habitantes. A unidade poderá produzir água de reúso com alto grau de pureza para aplicações compatíveis, reduzindo a necessidade de utilizar água potável em atividades que não exigem esse padrão. (Sanasa)
Para quem mora na cidade, o acompanhamento mais importante nos próximos anos será o cronograma das obras, a evolução das barragens associadas ao sistema regional e a implantação efetiva da nova captação. O Governo de São Paulo informa que as barragens de Pedreira, no Rio Jaguari, e Duas Pontes, no Rio Camanducaia, foram planejadas para ampliar a oferta regional e armazenar água durante períodos de chuva para utilização em momentos de menor precipitação. Juntas, as estruturas têm capacidade prevista de 85 bilhões de litros e podem beneficiar milhões de pessoas na região. (Agência SP)
Se o cronograma avançar como planejado, Campinas deverá chegar ao fim da década com uma estrutura de abastecimento mais diversificada, combinando novas fontes, redução de perdas, reservação e reúso. Isso poderá favorecer tanto a qualidade de vida dos moradores quanto a capacidade da cidade de receber novos empreendimentos e sustentar atividades econômicas. Ao mesmo tempo, a expansão da infraestrutura não elimina a necessidade de preservar mananciais, controlar desperdícios e acompanhar os efeitos das mudanças climáticas sobre as chuvas. O futuro do abastecimento de Campinas dependerá justamente da combinação dessas estratégias.

