ACIC projeta alta nas vendas físicas e digitais para a data, enquanto o custo da cesta básica já consome mais da metade do salário mínimo na cidade
Faltando menos de duas semanas para o Dia dos Pais, comemorado em 9 de agosto, o comércio de Campinas já projeta aumento nas vendas. Segundo levantamento da Associação Comercial e Industrial de Campinas, a expectativa é que as vendas físicas na cidade movimentem R$ 85,8 milhões, impulsionando o varejo na primeira grande data comemorativa do segundo semestre.
O cenário também é positivo na Região Metropolitana de Campinas. De acordo com a entidade, a projeção é de uma movimentação de R$ 402,1 milhões em vendas físicas e digitais somadas, o que representa crescimento de 3,45% em relação ao Dia dos Pais de 2025. Na RMC, as vendas físicas devem alcançar R$ 176,2 milhões, enquanto o comércio eletrônico tem expectativa de gerar R$ 140,1 milhões, mantendo a tendência de crescimento das compras online.
Outro indicador considerado positivo pela ACIC é o ticket médio, estimado em R$ 145, alta de 3,65% em comparação aos R$ 139,90 registrados no ano passado. O dado sugere que os consumidores devem investir um pouco mais na compra dos presentes deste ano. Entre os itens que devem liderar as vendas estão vestuário e calçados, perfumes e cosméticos e eletrônicos, mas também ganham espaço produtos de tecnologia e bem-estar, como smartwatches, assistentes virtuais e dispositivos de monitoramento da saúde.
Confiança do consumidor sustenta a expectativa
Segundo a entidade, o desempenho esperado para a data reflete a melhora gradual da confiança dos consumidores e a disposição das famílias em celebrar a ocasião, mesmo em um cenário de pressão sobre o orçamento doméstico causada pela alta de alimentos. É justamente esse segundo ponto que chama atenção quando se olha para outro indicador econômico da cidade: o custo da cesta básica.
Em junho, segundo levantamento do Observatório PUC-Campinas, o conjunto de alimentos essenciais registrou alta de 1,91%. Com o reajuste, o valor da cesta chegou a R$ 902,12, o equivalente a 55,7% do salário mínimo, hoje fixado em R$ 1.621. Na prática, mais da metade da renda mínima do trabalhador passa a ser destinada apenas à compra dos itens básicos de alimentação.
Feijão puxa a alta, mas nem tudo subiu
O principal responsável pela alta no mês foi o feijão, que ficou 13,93% mais caro, resultado da redução na oferta do produto provocada por problemas na safra e por condições climáticas que afetaram a produção. Ainda assim, o avanço foi mais discreto do que o registrado em maio. Mesmo assim, Campinas apresentou um aumento superior ao observado nas principais capitais da região Sudeste acompanhadas pelo Dieese, e no cenário nacional, 18 das 28 capitais pesquisadas também tiveram alta no custo da cesta básica em junho.
Além do feijão, outros produtos contribuíram para o encarecimento da cesta no mês: a banana subiu 4,82% e o açúcar avançou 3,24%. Por outro lado, alguns itens ajudaram a amenizar o impacto, como o arroz, que caiu 2,15%, e a farinha de trigo, com recuo de 1,41%.
O que mais pesou no orçamento ao longo do ano
No acumulado de 2026, a batata segue como o alimento que mais encareceu em Campinas, com aumento de 95,36%, seguida pelo tomate, que acumula alta de 87,07%. O feijão também aparece entre os principais aumentos do ano, com avanço de 42,01%, além do leite, que registra elevação de 28,94%. Já entre os produtos que ficaram mais baratos no período estão a banana, com queda de 14,52%, o café, que recuou 10,36%, e o açúcar, com retração de 9,71%.
Com esse cenário, o chamado salário mínimo necessário, estimado para cobrir a compra de três cestas básicas, passou para R$ 2.706,36. Nos seis primeiros meses de 2026, o custo da cesta básica na cidade acumula alta de 15,24%, índice ainda inferior ao registrado no Rio de Janeiro e em Vitória, mas superior aos percentuais de Belo Horizonte e São Paulo. Na comparação com os últimos 12 meses, a cesta básica em Campinas apresenta aumento de 11,35%.
O contraste entre um comércio otimista para datas comemorativas e uma cesta básica cada vez mais pesada no orçamento resume bem o momento econômico vivido pelas famílias campineiras: há sinais de aquecimento no consumo, mas o custo de vida segue apertando o bolso no dia a dia.
Fontes:
ACidade ON Campinas | ACIC | Dieese

