Márcio Pires de Moraes, como profissional com experiência em análise financeira e composição de custos, observa que a mesma inteligência artificial empregada para tornar os processos financeiros mais eficientes também está sendo utilizada para criar fraudes mais sofisticadas, difíceis de identificar pelos métodos tradicionais de conferência manual.
A falsificação de documentos em maior grau de qualidade, comunicações que imitam fornecedores reais e solicitações de pagamentos que parecem legítimas até o último detalhe exigem uma defesa que ultrapassa os limites da simples verificação visual.
Ao longo deste artigo, fica evidente a necessidade de que a defesa contra fraudes financeiras evolua à medida que a sofisticação empregada para tentar burlá-la.
Conferência manual de documentos já não é mais segura contra fraudes sofisticadas
Conforme descrito por Márcio Pires de Moraes, a conferência manual de documentos e solicitações de pagamento parte de um pressuposto que já não é mais seguro: o de que um documento com aparência correta é, de fato, legítimo em todos os seus detalhes.
Caso a falsificação ocorra com o respaldo de ferramentas avançadas, a aparência deixa de poder ser considerada um indicador confiável, sendo necessário recorrer a outros sinais, tais como o padrão de comportamento e o histórico de transação, para que a empresa consiga identificar uma possível tentativa de fraude. Esse tipo de sinal só é visível quando há um sistema de monitoramento do comportamento financeiro da empresa ao longo do tempo, e não apenas em cada transação isolada no momento exato em que ela ocorre na operação.
Um e-mail que imita perfeitamente o estilo de comunicação de um fornecedor real, solicitando a atualização de uma conta bancária para o próximo pagamento, pode enganar até mesmo funcionários experientes quando a checagem depende apenas da leitura atenta da mensagem.

Golpes desse tipo geralmente são bem-sucedidos porque exploram a confiança estabelecida em uma relação comercial prévia, em vez de uma tentativa óbvia de fraude por um remetente desconhecido.
Dupla checagem se torna essencial para pagamentos fora do padrão e prevenção de fraudes
O profissional com experiência em análise financeira e composição de custos considera que sistemas capazes de aprender padrões de pagamento podem sinalizar fraudes antes da efetivação. Segundo o especialista, a tecnologia em questão amplia a capacidade de identificar desvios que poderiam passar despercebidos. Esse tipo de defesa não substitui completamente o julgamento humano, mas reduz significativamente o volume de casos que dependem exclusivamente da atenção individual de um profissional revisando documento por documento, um a um.
Empresas de menor porte, que não dispõem de estrutura para investir em sistemas sofisticados, tendem a apresentar maior vulnerabilidade. Além disso, de acordo com o posicionamento de Márcio Pires de Moraes, os processos simples de dupla checagem permanecem como uma camada de proteção significativa. Para identificar possíveis tentativas de fraude antes que o pagamento seja efetivado, é recomendável entrar em contato com o fornecedor por meio de um número de telefone já conhecido, e não com o número informado na mensagem suspeita.
Sofisticação das fraudes exige defesa mais inteligente, sem paralisar a operação financeira
Conforme exposto por Márcio Pires de Moraes, o desafio real não se limita à identificação de fraudes, mas também à realização desse procedimento de maneira a não transformar todo pagamento em um processo lento e burocrático, o que resultaria em outro tipo de custo para a operação diária. A gestão equilibrada dessas duas necessidades geralmente demanda critério, ou seja, mais rigor para pagamentos fora do padrão habitual da empresa e agilidade para o que já é reconhecidamente rotineiro e de baixo risco.
É imprescindível definir antecipadamente os critérios que definirão se um pagamento será considerado fora do padrão. Dessa forma, evita-se que a decisão seja tomada de forma precipitada e sob pressão de prazo, no exato momento em que a fraude tenta se passar por uma urgência legítima do negócio.
A sofisticação da fraude não deve constituir motivo para a paralisação do processo financeiro com burocracia excessiva. Assim, o caminho está em tornar a defesa mais inteligente, distinguindo o que realmente exige atenção do que pode continuar fluindo com a agilidade necessária.

