Escolher entre a rede elétrica aérea e subterrânea não é uma decisão trivial. Matheus Vinicius Voigt, profissional da área de engenharia elétrica e gestão de projetos, pondera que a escolha envolve aspectos técnicos e de infraestrutura. A Análise do Ciclo de Vida, também conhecida pela sigla LCA, amplia a comparação ao considerar materiais, fabricação, instalação, operação, manutenção e destinação dos componentes.
Esse tipo de observação evita uma conclusão precipitada. A rede subterrânea pode reduzir a exposição a ventos, colisões e interferências visuais, mas sua implantação costuma exigir mais materiais, isolamento, escavação e estruturas de proteção. A opção por transporte aéreo, por sua vez, tende a simplificar a instalação e a manutenção, embora fique mais sujeita ao ambiente. O resultado depende de uma série de fatores, incluindo o sistema estudado, a região e a função de comparação selecionada.
Da fabricação à substituição, os impactos considerados pela LCA
Uma LCA não se limita a quantificar os gases emitidos durante a construção. A metodologia em questão define uma unidade funcional, reúne o inventário de entradas e saídas e interpreta os impactos ao longo da vida útil. Em redes elétricas, a comparação de apenas um quilômetro de cabo pode não ser suficiente. Além disso, é imprescindível considerar a energia efetivamente entregue, a capacidade da rede e o período de operação.
Um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology realizou uma análise do ciclo de vida de sistemas de distribuição de média tensão, utilizando dados específicos de uma concessionária para a avaliação de indicadores ambientais. A pesquisa constatou que a produção dos cabos concentrava a maior parcela dos impactos nos dois arranjos avaliados. Esse resultado desloca a atenção para a quantidade e o tipo de material empregado.
Em consonância com a perspectiva de Matheus Vinicius Voigt, a LCA cumpre a função de identificar itens não contemplados no orçamento inicial. Uma escolha aparentemente econômica pode acarretar impactos associados à fabricação, às perdas elétricas e à substituição futura de ativos.
Materiais e perdas podem alterar a comparação entre redes
A instalação de cabos subterrâneos demanda a implementação de sistemas de isolamento e proteção que sejam compatíveis com o ambiente enterrado. A instalação envolve a construção de valas, dutos, sinalização, recomposição do pavimento e equipamentos de acesso. Esses elementos contribuem para o aumento do uso de materiais e da complexidade da obra. Em redes aéreas, postes, condutores, cruzetas e equipamentos de suporte são inventariados de forma distinta.

A operação agrega uma camada decisiva. A resistência dos condutores provoca perdas que se acumulam ao longo dos anos de fornecimento. Uma análise recente de redes de 33 kV demonstrou que as perdas operacionais por efeito Joule podem ter um impacto significativo quando o cálculo é normalizado pela eletricidade entregue. Dessa forma, o dimensionamento do condutor e o perfil de carga devem ser considerados na decisão.
Ao realizar a leitura de Matheus Vinicius Voigt, é necessário observar que a comparação de materiais sem a devida análise do desempenho elétrico produz uma resposta incompleta. O mesmo componente pode ter diferentes implicações ambientais, dependendo da corrente, da extensão da rede e do tempo de serviço.
Aspectos que diferenciam redes aéreas e subterrâneas
Apesar da existência de algumas respostas possíveis, não há uma resposta universal. Em áreas densamente ocupadas, a infraestrutura subterrânea pode estar sujeita a restrições de espaço, segurança e continuidade de circulação. Em outras localidades, a rede aérea pode requerer menos material e autorizar inspeções mais simplificadas. A escolha deve levar em consideração o risco climático, o acesso para manutenção, a sensibilidade da carga, a expansão urbana e a possibilidade de reparo.
A gestão de ativos também altera a conclusão. Redes aéreas podem ser mais suscetíveis a interrupções associadas ao ambiente, enquanto falhas subterrâneas tendem a exigir localização e escavação antes do reparo. Por conseguinte, a confiabilidade, o custo, a segurança e o impacto ambiental devem ser analisados em conjunto, com dados locais e hipóteses transparentes.
Matheus Vinicius Voigt atribui essa decisão à fase de planejamento da infraestrutura elétrica, não a uma disputa entre tecnologias. Quando a LCA incorpora materiais, perdas, manutenção e fim de vida, a modernização urbana deixa de buscar a opção aparentemente mais limpa e passa a escolher a configuração mais coerente com seu uso real.

