Dados recentes da Emdec mostram o perfil das vítimas e apontam os principais fatores associados às mortes no trânsito de Campinas.
Campinas registrou 142 mortes no trânsito em 2025, número que representa uma queda de 5,3% em relação ao ano anterior, mas ainda revela um desafio importante para a mobilidade urbana da cidade. O levantamento apresentado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) durante a Semana da Mobilidade Urbana de 2026 mostra que motociclistas e pedestres concentram a maior parte das vítimas, enquanto velocidade e álcool aparecem entre os principais fatores de risco identificados.
Para quem vive, trabalha ou estuda em Campinas, os dados ajudam a responder uma dúvida prática: quais situações tornam o trânsito mais perigoso e o que pode ser feito para reduzir o risco? A resposta passa por comportamento dos condutores, desenho das vias, fiscalização, educação e uso de informações para identificar pontos críticos. O cenário também interessa especialmente a quem utiliza motocicleta diariamente, circula a pé ou depende de deslocamentos pelas principais avenidas e rodovias que atravessam o município.
O que os números de Campinas revelam sobre as mortes no trânsito
Dos 142 óbitos registrados em 2025, 74 ocorreram em vias urbanas e 68 em rodovias. Motociclistas e garupas representaram 72 vítimas, ou 50,7% do total, enquanto pedestres responderam por 45 mortes, equivalentes a 31,7%. Outros veículos somaram 20 vítimas e ciclistas, cinco. Em termos gerais, isso significa que mais de oito em cada dez mortes registradas no ano envolveram motociclistas, passageiros de motos ou pessoas que estavam caminhando.
O perfil etário também chama atenção. Pessoas entre 18 e 29 anos responderam por 41 mortes, ou 28,9% do total, e 32 dessas vítimas eram motociclistas ou garupas. Entre pessoas com 60 anos ou mais, os pedestres representaram 66,7% das vítimas. Os homens também foram maioria expressiva, com 120 mortes, contra 22 mulheres, mostrando que as políticas de segurança viária precisam considerar diferentes padrões de exposição ao risco conforme idade, gênero e forma de deslocamento.
A distribuição dos casos ajuda a entender por que o problema não pode ser tratado apenas como uma questão de imprudência individual. Nas vias urbanas, 29 dos 74 sinistros fatais analisados foram colisões, 23 foram atropelamentos e 14 envolveram choques contra obstáculos fixos. Quatro avenidas — John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia — concentraram 17% dos óbitos em vias urbanas registrados entre 2023 e 2025. Esses dados permitem direcionar intervenções para locais e comportamentos específicos, em vez de adotar medidas genéricas para toda a cidade.
Velocidade e álcool aparecem entre os principais fatores de risco
Entre 139 sinistros fatais analisados pela Emdec, a velocidade apareceu como fator de risco em 53 casos, equivalente a 38,1%, enquanto o álcool esteve presente em 48 ocorrências, ou 34,5%. Em 19 casos, os dois fatores foram identificados simultaneamente. A análise também apontou comportamento de pedestres, uso de drogas ou medicamentos e falta de habilitação entre os fatores associados aos casos fatais.
O dado sobre velocidade é particularmente relevante para uma cidade com grande circulação de motocicletas, carros, ônibus, bicicletas e pedestres. Quanto maior a velocidade de impacto, menor tende a ser a possibilidade de uma pessoa vulnerável sobreviver a uma colisão, o que explica por que políticas de controle de velocidade fazem parte das estratégias de segurança viária adotadas por municípios. No caso de Campinas, a Emdec afirma que utiliza informações sobre sinistros para orientar ações de engenharia, fiscalização, educação, operação de trânsito e desenho das vias.
O álcool acrescenta outro elemento ao problema porque afeta diretamente a capacidade de reação e tomada de decisão dos usuários das vias. Segundo a Emdec, entre as vítimas fatais que passaram por testes, 42,7% dos condutores ou pedestres mortos estavam alcoolizados. A Prefeitura também informou que as chamadas “Operações pela Vida” já haviam realizado mais de 15 mil testes com bafômetro e registrado mais de 450 autuações em 2026 até a apresentação dos dados durante a Semana da Mobilidade.
Para o motorista comum, os números indicam que segurança viária não depende apenas de conhecer as regras do Código de Trânsito Brasileiro. Reduzir a velocidade em áreas movimentadas, jamais dirigir após consumir álcool, manter distância segura de motocicletas e bicicletas e redobrar a atenção em cruzamentos são comportamentos diretamente relacionados aos fatores identificados no levantamento. Para motociclistas, o cuidado também envolve equipamentos de proteção, atenção aos pontos cegos e condução defensiva, especialmente em horários e locais de maior movimento.
O que pode mudar nas ruas de Campinas nos próximos meses
A evolução recente mostra que existem sinais de redução, embora os números ainda representem um problema significativo. Segundo a Emdec, 2025 interrompeu uma sequência de altas ou estabilidade observada entre 2020 e 2024, com oito vidas salvas em comparação com 2024. A taxa de mortes caiu 5,5%, chegando a 11,95 óbitos por 100 mil habitantes. A empresa também informou que os dados preliminares de 2026 indicavam queda dos índices pelo sétimo mês consecutivo, com 14 vidas salvas nas vias urbanas e redução de 35% nas mortes nesse tipo de via.
Um exemplo citado pela Emdec é a Avenida John Boyd Dunlop, que, apesar de permanecer entre os corredores com maior número de mortes, apresentou redução de 69% entre 2021 e 2025 e queda de 43% somente em 2025. O caso mostra como intervenções e políticas direcionadas a determinados corredores podem produzir mudanças mensuráveis. Ao mesmo tempo, a concentração de ocorrências em avenidas específicas indica que o acompanhamento permanente dos dados continua sendo necessário para identificar novos pontos críticos.
A Semana da Mobilidade Urbana de Campinas, realizada entre 18 e 25 de setembro, reforça justamente essa combinação de fiscalização, educação e participação social. A programação inclui ações direcionadas a motociclistas, atividades educativas e iniciativas de mobilidade ativa, enquanto a Emdec mantém a produção de boletins e relatórios que acompanham mortes, tipos de usuários envolvidos, fatores de risco e locais das ocorrências.
Para os próximos meses, o principal ponto a acompanhar será se a tendência de redução observada nos dados preliminares de 2026 será mantida e quais medidas terão maior efeito sobre motociclistas e pedestres. A Emdec também atualizou sua metodologia: desde janeiro de 2026, considera como vítima fatal aquela que morre em até 30 dias após o sinistro, alinhando o acompanhamento a padrões nacionais e internacionais.
Isso significa que os números do trânsito de Campinas tendem a continuar sendo uma ferramenta importante para orientar decisões sobre fiscalização, velocidade, infraestrutura e educação. Para quem circula diariamente pela cidade, acompanhar essas informações ajuda a identificar os principais riscos e compreender por que determinadas medidas são adotadas em avenidas e regiões específicas. A redução registrada em parte dos indicadores mostra que políticas públicas podem produzir resultados, mas a permanência de dezenas de mortes anuais mantém a segurança viária como uma questão diretamente ligada à qualidade de vida, à mobilidade e à saúde pública. A evolução dos dados de 2026 será decisiva para indicar quais estratégias deverão ser ampliadas.
Fontes verificáveis: Prefeitura de Campinas — perfil das 142 vítimas no trânsito em 2025 · Emdec — oito vidas salvas e queda das mortes em 2025 · Emdec — estatísticas e metodologia dos sinistros de trânsito

