Durante a audiência, foi discutida a proposta de municipalização gradual dos serviços de saúde mental, com um cronograma ainda em fase de negociação. A iniciativa busca preservar os empregos e garantir a continuidade do atendimento, pontos essenciais para a manutenção da rede de atenção psicossocial. A prefeitura ressaltou que não pretende promover demissões, o que tranquiliza os profissionais da área e a comunidade atendida.
O Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira, por sua vez, afirmou que não se opõe à municipalização, mas que precisa apresentar uma proposta financeira que contemple a redução dos custos sem comprometer a qualidade dos serviços. A entidade se comprometeu a apresentar uma planilha detalhada com valores inferiores ao montante inicialmente solicitado, buscando um equilíbrio entre as demandas financeiras e o atendimento prestado.
O impasse nas negociações reside no valor do repasse feito pela Prefeitura. Enquanto o Cândido Ferreira reivindica um reajuste de 16%, a administração municipal ofereceu 5%, o que tem dificultado a concretização de um acordo. Desde 2021, o valor dos repasses permanece sem ajustes significativos, gerando pressão sobre as finanças da entidade e o risco de prejuízo nos atendimentos.
A questão ganhou força judicial quando a Justiça determinou a continuidade do contrato por um prazo de 90 dias, reduzindo o prazo inicial de 180 dias, para que as negociações possam avançar. A decisão busca assegurar a manutenção integral da assistência à saúde mental, reforçando a importância do serviço para a cidade de Campinas e região metropolitana.
Os trabalhadores da área permanecem em greve, mobilizados para garantir não apenas a preservação dos empregos, mas também as condições dignas de trabalho que assegurem o cuidado adequado aos pacientes. Eles alertam para o risco de precarização caso não haja um acordo justo e reforçam a necessidade de participação ativa nos processos de transição e seleção.
O Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira responde por cerca de 5,5 mil atendimentos mensais, abrangendo 11 Centros de Atenção Psicossocial na metrópole. A entidade emprega aproximadamente 850 profissionais e é peça-chave na estrutura de atendimento da saúde mental pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região.
Enquanto as negociações continuam, a Prefeitura de Campinas reforça seu compromisso de seguir dialogando com a instituição para encontrar uma solução viável e responsável. A expectativa é que até a próxima audiência, marcada para 28 de julho, haja avanços concretos que garantam a continuidade do serviço sem comprometer a qualidade e a assistência à população que depende do Cândido Ferreira.
Autor: Georgy Stepanov