Complexos industriais e de abastecimento raramente aparecem em histórias de transformação social. São endereços funcionais, territórios de logística, lugares onde o que importa é a eficiência das operações e o volume dos negócios. O CEAGESP, uma das maiores centrais de abastecimento do hemisfério sul, instalada na zona oeste de São Paulo, não seria diferente não fosse a presença de Eloizo Gomes Afonso Duraes e da Fundação Gentil Afonso Duraes. O portão 13 desse complexo tornou-se, ao longo de mais de duas décadas, um dos endereços mais significativos da história da filantropia paulistana.
A zona oeste que poucos conhecem
O bairro do Jaguaré e seus arredores imediatos formam um território que a narrativa dominante sobre São Paulo frequentemente ignora. Não é a periferia distante que aparece nos debates sobre desigualdade urbana, nem o centro expandido que concentra os investimentos públicos e privados. É uma zona de transição, marcada pela coexistência de atividade industrial intensa e bolsões de vulnerabilidade social que ficam na sombra do movimento econômico ao redor.
Eloizio Gomes Afonso Duraes chegou a esse território em julho de 2003 com uma empresa e saiu dele, metaforicamente, com uma missão. A percepção da invisibilidade social das famílias que viviam na sombra do CEAGESP foi o gatilho que transformou um empresário em filantropo de tempo integral.

O portão 13 como metáfora
Há algo simbolicamente poderoso na imagem do portão 13 do CEAGESP como ponto de acesso aos programas da Fundação. Um complexo que existe para distribuir alimentos para a cidade inteira passou a ser também o endereço por onde crianças entram para receber educação, cultura, saúde e perspectiva de futuro. Eloizo Gomes Afonso Duraes transformou um portão de abastecimento em um portão de oportunidades, e essa transformação diz muito sobre sua capacidade de ver potencial onde outros veem apenas função.
O transporte gratuito que leva as crianças até esse portão, funcionando nos dois turnos de segunda a sexta, é o elemento logístico que torna a metáfora concreta: a oportunidade não apenas existe, mas vai buscar quem precisa dela onde quer que esteja.
Um polo que irradiou para quatro estados
O que começou no entorno do CEAGESP irradiou, ao longo de anos, para São Luís, João Pessoa e Recife. A lógica que funcionou no Jaguaré, de identificar territórios de contraste em que a vulnerabilidade coexiste com atividade econômica intensa, e de intervir com programas sérios e consistentes, foi levada para novos contextos com a mesma sensibilidade e o mesmo comprometimento. Eloizio Gomes Afonso Duraes demonstrou que um modelo construído numa zona industrial paulistana podia transformar vidas também no Nordeste brasileiro, desde que fosse aplicado com atenção às especificidades locais e com a paciência necessária para construir confiança antes de colher resultados.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

